Crise de pilotos e mecânicos


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Ainda sob o impacto dos dois maiores acidentes aéreos de sua história, que aguardam esclarecimentos, o brasileiro vê aumentar o seu pavor com a preocupante notícia de que, por escassez de pessoal especializado pilotos e mecânicos as empresas aéreas abrem mão das exigências necessárias à contratação de profissionais. O piloto, que antes não tinha o emprego sem comprovar 3.500 horas de vôo, hoje é admitido com apenas 1.000 horas. E, mesmo assim, a falta de profissionais qualificados deve estrangular o setor nos próximos anos. A aviação é um serviço de alta precisão e risco equivalente, pois, como se diz popularmente, “lá em cima não existe o acostamento”. Causa grande preocupação a redução da comprovada experiência na contratação daqueles em cujas mãos são depositadas, de uma só vez, centenas de vidas e um grande patrimônio, representado tanto pela aeronave quanto pela sua carga. As companhias aéreas têm de esclarecer e provar se a exigência anterior era exagerada ou qual procedimento levou as 1.000 horas a se tornarem suficientes. Sem isso, será difícil evitar a ampliação do medo de voar. O pedido da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) ao governo, para a tomada de providências, é de alto interesse público. Não é justo o usuário correr riscos além dos normais ao utilizar o transporte aéreo e a economia nacional ficar sem esse modal de transporte. Nossas dimensões continentais exigem o avião como meio insubstituível de locomoção de pessoas e mercadorias entre as diferentes regiões. O setor aéreo tem rendido muitos problemas. Além dos grandes acidentes, ainda está presente junto ao usuário a crise dos aeroportos, hoje sob controle mas ainda sem solução. A qualquer dia, sem motivo justificado, lá estão as salas de embarque superlotadas e sem previsão de atendimento à clientela. As companhias aéreas, via de regra, graças ao regime de impunidade, são omissas, e o governo mais ainda, pois, como poder concedente, não exige atendimento mais responsável ao usuário. A aviação brasileira ainda aguarda as esclarecedoras conclusões e, principalmente, providências, sobre os acidentes da Gol e da TAM. Carece de uma solução definitiva para a questão dos controladores de vôos e da retenção nas áreas de embarque. E, agora, defronta-se com a falta de pilotos e mecânicos. As empresas precisam adotar políticas consistentes de recursos humanos para evitar continuarem perdendo pessoal para as concorrentes estrangeiras. O governo tem a obrigação de fiscalizá-las e desenvolver ações que garantam o funcionamento do setor. Tem de levar em consideração que o Brasil não vive sem avião e que algo tem de ser feito para preservar a aviação comercial. Talvez a desoneração fiscal seja um bom começo, juntamente com o incentivo à ampliação das escolas de formação de pilotos, mecânicos e outros profissionais do meio. É sensato e fica mais barato fazer isso antes que o colapso se instale... Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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