Perto de 200 policiais civis estarão de braços cruzados a partir de hoje. Eles aderiram ao movimento grevista que, de acordo com o sindicato da categoria, vai acontecer em todo Estado de São Paulo. A greve começa a partir das 8 horas de hoje e não tem previsão de término. Os policiais querem sensibilizar o governo para corrigir as perdas salariais dos últimos cinco anos, o que significa um aumento em torno de 50%, e para promover uma reestruturação da polícia em todo Estado. O comando grevista manterá apenas 30% do atendimento.
Quem precisar da polícia para registrar ocorrências de menor vulto nas delegacias vai encontrar uma espécie de “greve branca”. As portas vão estar abertas e os funcionários em seus postos, porém, de braços cruzados. Uma cartilha do movimento grevista foi distribuída em todas as repartições da Polícia Civil durante a tarde de ontem, chamando os policiais para a paralisação e explicando os procedimentos que deverão ser adotados durante a greve.
A “cartilha da greve” orienta os delegados, investigadores e escrivães sobre como proceder no atendimento ao público durante a paralisação. Nas delegacias, não serão registradas ocorrências policiais, salvo as prisões em flagrante, captura de procurados, homicídios e remoção de cadáveres. Nas especializadas como DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Dise (Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes) e DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), seguirão os mesmos métodos. A escala mínima de 30% será feita com servidores se revezando em turno de duas horas. “Vamos manter os 30% de atendimento exigidos por lei. Para as demais ocorrências, vamos pedir a colaboração e o entendimento da população”, disse um escrivão, que pediu para não ser identificado.
Nenhum policial de Franca quis se pronunciar abertamente sobre a paralisação, mas a maioria dos ouvidos pelo Comércio disse que vai aderir ao movimento. “É um absurdo o que ganhamos, é muito pouco. O governo tem que valorizar o policial. Na delegacia em que trabalho, todos vão aderir. Somente casos de emergências serão registrados”, disse um investigador, que pediu anonimato.
Ainda na tarde de ontem, o delegado seccional Mauri Segui se reuniu com outros delegados de sua jurisdição para tratar da greve. Ele não quis comentar o discutido na reunião, mas ressaltou que é responsabilidade de cada titular da delegacia o que acontecer em sua repartição durante a paralisação. “Somente o delegado geral pode falar sobre a greve, eu não estou autorizado. Aqui, na sede da Delegacia Seccional, todos estarão trabalhando”, disse Segui.
A categoria pede, além de uma reestruturação da carreira, a reposição salarial dos últimos cinco anos e a incorporação das gratificações.
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