Sou camelô e daí?


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Levantar cedo, trabalhar ao ar livre, enfrentar chuva e sol forte, montar e desmontar barracas, expor mercadorias, conviver com pessoas diferentes e ter boa “lábia” para conquistar clientes. Essa rotina faz parte da vida dos famosos camelôs. Nessa profissão considerada informal, boa parte dos trabalhadores é formada por jovens. Nas 20 barracas localizadas na Praça D. Pedro II, mais da metade possuía pelo menos um vendedor com idade entre 18 e 28 anos. Seja por influência dos pais, necessidade financeira ou porque gostam, os jovens também aderiram à profissão de vender produtos nas ruas e calçadas. Para alguns, a vida de camelô começou na infância. Foi o caso de Nait Venâncio da Silva, 27 anos, que, desde os 8, trabalha em barracas nas praças da cidade junto com a mãe. “Eu ajudava ela e, quando ela resolveu se aposentar, decidi ficar. Agora eu estou em uma barraca junto com um amigo”, disse. Durante a adolescência, o camelô que vende jogos de Playstation na Praça Dom Pedro II até procurou outros empregos, mas preferiu continuar como vendedor informal. “Trabalhei como sapateiro, mas a renda não compensava. Aqui ganho R$ 25 por dia, não sou registrado, mas, pelo menos, eu faço o que eu gosto”. Mesmo com a longa rotina, a camelô Zulmira Sanches Melina, 22, se sente muito satisfeita. Ela tem uma barraca de bolsas na Praça Dom Pedro II. O dia de trabalho começa cedo. Ela acorda às 7h20, prepara a marmita e segue para o trabalho. Às 8h45 monta a barraca. Bolsa por bolsa, ela vai expondo seus produtos e, quando chegam clientes, adora conversar. “Muitas meninas me pedem dicas de combinações, é gostoso”, disse. A primeira parte do trabalho de Zulmira como camelô termina às 15h40, quando começa a desmontar e guardar os produtos na mala. “Depois, eu vou para casa, tomo banho e vou para a Unifran (Universidade de Franca), expor tudo de novo e vender”, disse. Às 22h40, chega ao fim mais um dia de trabalho na vida da camelô, que, mesmo cansada, se sente satisfeita. “Conheço pessoas e vejo gente o dia todo. Prefiro assim, eu sendo minha chefe, do que trabalhar para outras pessoas”. No fim do mês, a renda obtida por Zulmira é de R$ 520. A profissão de camelô é considerada informal, mas necessita de um cadastro para se tornar regularizada. Na Prefeitura de Franca, estão cadastrados atualmente 96 camelôs, que trabalham nas duas principais praças da cidade, a Praça Nove de Julho e a D. Pedro II. “Todo ano os camelôs devem se recadastrar para continuarem trabalhando. O cadastro é simples e feito pelo Setor de Fiscalização da Prefeitura”, disse Ismael Xavier, chefe do setor. ARTIGOS DE POUCO VALOR ? QUE NADA! O nome camelô vem do francês “camelot”, que significa “vendedor de artigos de pouco valor”. Mas como todo bom camelô sabe, é impossível vender apenas um único tipo de produto na barraca ou apenas produtos de baixo custo. Quem vende brinco vende pulseira; quem vende roupas vende lingeries e por aí vai. Sabe aquele produto que a gente não consegue encontrar em lojas comuns? Nas barraquinhas de camelôs, é possível encontrar de tudo, de tesourinhas de unha e utensílios para o lar a brinquedos importados e jogos de videogame. Os valores variam muito. São mais em conta que nas lojas, mas não significa que sejam tão baratos assim.

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