Exuberância chinesa


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A China mostrou ao mundo sua capacidade. Se queriam provar ser um dos principais povos do planeta, conseguiram com sobras ontem na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Debaixo dos olhos de todo o mundo, o país deu um show. A cerimônia, aguardada há anos, emocionou e deve entrar para a história como uma das três melhores de todos os tempos. Com elementos fortes, imagens marcantes e repletas de simbolismos, os chineses recontaram sua história e toda a contribuição que deram à civilização moderna. Percebeu-se a importância do Estádio Ninho de Pássaros. Aliás, é fácil compreender que a China construiu um monumento e não simplesmente uma obra. Para entender basta lembrar os estádios construídos pelos alemães para a Copa do Mundo de 2006 ou as obras erguidas pelos australianos para a Olimpíada de Sydney. Todos são fantásticos projetos de engenharia, assim como os construídos em Pequim. Usam soluções modernas para atender eventos de porte. No entanto, o Ninho de Pássaros tem alma, sentimento. Ele pulsa incentivado pelo orgulho chinês em emprestá-lo ao mundo durante esta Olimpíada. Por isso afirmo: surgiu um monumento que, não tenho dúvidas, entrará para a história da humanidade como prova de exuberância. Em meio ao espetáculo realizado pelos chineses ficou uma pergunta: pode o Brasil sediar uma Olimpíada e realizar algo tão grandioso? História como a chinesa o País não tem. Apesar de que considero o tema inadequado para os brasileiros. Cá deste lado do mundo deve ser exultada a alegria, a união entre povos diferentes que escolheram viver juntos. Até mesmo a alegria, isso mesmo, este sentimento genuinamente brasileiro deveria simbolizar um evento do gênero. Quanto a organizar uma cerimônia de abertura, o Brasil não terá problemas. Há como resolver o problema. Para quem não sabe, a cerimônia do Pan-Americano do Rio já conquistou vários prêmios internacionais que viam promover a inspiração e a criatividade nas artes visuais. Para mim, não é difícil imaginar as maravilhas do País e as expectativas de seu povo como pano de fundo de um espetáculo do gênero. Tudo regado a muito samba e percussão, tradicional elemento da cultura brasileira. Só restaria uma pergunta. Há dinheiro suficiente para transformar tudo isto em realidade? A China gastou valores inimagináveis para um cidadão comum. É justo em um país com tanta desigualdade desviar para uma festa aristocrática tal monta de recursos? Não sei, não sei. Talvez fosse melhor esperar pela Copa de 2014 para depois então tentar trazer a Olimpíada.

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