"Virei um Maradona, no centro das polêmicas. Quando estou de férias, faço o que eu quiser. Durante a temporada, comporto-me como um profissional sério. Mas quando o campeonato termina, estou livre. Não podemos misturar as coisas. Para ser um bom atleta, é preciso se sentir bem, ser feliz. Dou o máximo de mim dentro de campo, mas quando termina este período, eu aproveito a vida".
A frase foi dita por Ronaldinho Gaúcho em uma entrevista assim que chegou a Pequim, local onde viverá uma cruzada. Questionado por uma temporada ruim no Barcelona, o jogador teve de abrir mão dos 15% de sua transferência para poder voltar a jogar em um time de ponta: o Milan, da Itália. Mesmo assim, seu caminho é incerto.
Antes da aventura no futebol da Velha Bota, ele terá um desafio considerável. Defender e vencer a Olimpíada dePequim, único título que a seleção de futebol não tem. Aos 28 anos, ele é um iluminado. Ele nasceu em Porto Alegre e jogou toda a infância no Grêmio. Depois de passagens por todas as seleções de base do B sil, o jogador estreou em 1999 no time principal. Não demorou muito, atingiu o estrelato. Na Copa América deste mesmo ano, marcou um gol na goleada contra a Venezuela (7 a 0) em que entrou na área com a bola dominada, deu um chapéu no zagueiro e chutou forte no canto do goleiro. Saiu rodopiando pelo campo.
Foi a consagração. A realização dosonho de um menino que já fizera isso antes, mas nunca com a camisa da seleção e diante de um estádio lotado. Não demorou muito realizou o que sua família esperava dele. Foi para a França, ganhou dinheiro. Faltava o reconhecimento. Acabou se transferindo para o Barcelonae aí sim atingiu o auge da carreira. Levou o time a títulos importantes, como o daCopa dos Campeões. Com a seleção venceu a Copa do Mundo.
Ganhou duas vezes o título de melhor do mundo. Aí veio a derrocada. Em 2006, fez parte do grupo do Brasil derrotado na Alemanha e entrou em crise pessoal. Não voltou a jogar bem e, neste ano, se machucou. Saiu doBarcelona em baixa, rico mas desmoralizado. A Olimpíada sua segunda chance, a possibilidade de voltar a desfrutar de prestígio. O caminho não será tão fácil.
Em Pequim, há times melhores do que em Atenas. A própria Argentina, que defenderá seu título, tem Messi, seu companheiro no Barça. Mesmo assim, o jogador mostra confiança. Em toda pelada no Brasil, diz-se que um grande time não pode ser formado só de craques. Se assim for, Ronaldinho pode atingir seu objetivo. A seleção olímpica é um time comum. Cheio de gente esforçada, mas só Ronaldinho é um fora-de-série. A torcida é para que a fórmula funcione e que Gaúcho se inspire em Marta, a humildade em pessoa, para conduzir os companheiros até a final. E que se Deus quiser será contra a Argentina, com vitória de goleada e gols marcados por Ronaldinho. Sonhar é permitido a qualquer um ...
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