Sangue nos olhos


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Mascarado, marrento ou exibido. Seja qual expressão for a preferida, é fácil identificar a imagem de alguém marcado pelo favoritismo e a soberba. No esporte, nem sempre o melhor sai vencedor. E muitas vezes esta pecha é o pior dos adversários. Foi assim com Shelda e Adriana Behar. Nem mais de uma centena de títulos conquistados e cinco mundiais foram capazes de lhes dar um ouro olímpico. Por duas vezes chegaram à decisão como favoritas. Por duas vezes perderam. Pior fez a seleção feminina de vôlei. Um time multicampeão, mas que nunca chegou ao pódio olímpico. É delas a proeza de perder a semifinal em Atenas/2004 após estarem vencendo o jogo por 24 a 19 diante da Rússia. Faltou frieza, controle emocional, seja o que for. E Bimba. Alguém conhece? Quem gosta de iatismo, sim. Ricardo Winicki chegou a Atenas e surpreendeu. Chego na última regata como líder. A vantagem era tanta que poderia chegar em 16º para ficar com uma medalha. Desaprendeu. Ficou nervoso. Sei lá. Chegou em 17º e há quatro anos culpa a falta de ventos pelo fracasso retumbante. Até a seleção de futebol já perdeu o ouro praticamente certo. Em 1984, Dunga e Mauro Galvão viram a França vencer a final por 2 a 0. Quatro anos depois, foi a vez de Taffarel, Neto, Careca, Bebeto e Romário -artilheiro do torneio -sucumbirem diante da União Soviética: 2 a 1, de virada. Pequim é a chance para o Brasil superar seu trauma de ser vencedor, seu "complexo de vira-latas" - inferioridade que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do mundo -, segundo Nelson Rodrigues. Este padecimento provocado pela derrota na final da Copa de 1950, no Maracanã, acompanhou a seleção de futebol até 1958. O título ajudou o País a iniciar um processo que terá seqüência agora e poderá atingir todas as modalidades em disputa. Jogos Olímpicos têm encontros ferrenhos, marcados pela superação, entusiasmo e entrega por parte de homens e mulheres fadados a glória. Nunca o Brasil teve tantas chances de superar este trauma antigo que acomete a nação. Iatismo, vôlei masculino, feminino e duplas de praia, as duas seleções de futebol, ginástica, atletismo, hipismo, natação e judô. O Brasil tem favoritos em todos estes esportes. Resta ter aquele algo mais que qualquer atleta, até os de fim de semana, sabem o que significa. Raça, determinação, "sangue nos olhos". Esta seria uma forma sublime do brasileiro formar uma nova imagem de si mesmo. Sai o vira-lata, que entre o ser repleto de virtudes ... e pronto para os desafios do nosso século. Será?

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