Mais de 1,6 mil pacientes ‘engordam’ a fila para as eletivas em dois anos


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DRAMA -  Há um ano com uma bolsa de colostomia, o aposentado Geraldo Alves cansou de esperar e procurou o Ministério Público: “Quero resolver meu problema”
DRAMA - Há um ano com uma bolsa de colostomia, o aposentado Geraldo Alves cansou de esperar e procurou o Ministério Público: “Quero resolver meu problema”
A fila de espera por cirurgias eletivas em Franca não pára de crescer. Em dois anos, passou de 3,5 mil pacientes - em setembro de 2006 -, para 5.166 em agosto deste ano. São 1.666 doentes a mais na espera. Os números são da Secretaria Estadual de Saúde e se referem apenas à cidade de Franca. O crescimento é resultado de um déficit mensal no contrato firmado entre o governo do Estado, gerente dos procedimentos, e a Santa Casa, executora. Enquanto a procura média por cirurgias eletivas é de 298 pessoas por mês, apenas cerca de 222 conseguem atendimento. Segundo Paulo Borges, promotor de Justiça da Cidadania, a demanda e a realização de cirurgias estão estáveis há anos, o que impede que os números diminuam. Em junho, Borges interpelou os responsáveis pelo DRS (Departamento Regional de Saúde) a respeito da falta de aumento na contratação de cirurgias. “Eles pediram um prazo. Pediram essa compreensão da Promotoria para informatização e recadastramento, mas se depois disso, nenhuma medida efetiva for tomada, eles serão acionados judicialmente”, garantiu. CAPACIDADE Para o promotor de Justiça e curador das fundações no município, Décio Piola, a capacidade de atendimento da Santa Casa, onde a maioria dos procedimentos é realizada, é mal aproveitada. “A Santa Casa tem uma capacidade de atendimento muito superior à que o Estado contrata, então não há como justificar o aumento da fila”, afirmou. Segundo Lila Crespo, assessora de imprensa do hospital, apesar de ter mais capacidade do que o contratado, a instituição só pode realizar o que está contratado mensalmente pelo Estado, ou seja, cerca de 220 cirurgias. “A gente tem capacidade instalada para mais, porém, qualquer serviço desse tipo precisa ser autorizado pelo gestor do SUS, que é o Estado”, disse. Um dos casos que bem representam o drama vivido por quem espera meses na fila é o do aposentado Geraldo Alves de Melo, que convive há mais de um ano com uma bolsa de colostomia presa ao abdômen . “Em julho, fez um ano da primeira cirurgia, mas a bolsa não pára, fica descolando por causa da hérnia e ele tem que ficar o tempo todo deitado para o intestino não sair (pelo corte)”, contou a filha do aposentado, Maria Alves de Melo, 65 anos. Cansada de esperar pela convocação para a cirurgia, a família procurou o Ministério Público. O promotor de Justiça do Idoso, Décio Piola, afirmou que o caso já foi informado ao DRS-8. “Eu já notifiquei o DRS para eles providenciarem urgentemente a cirurgia sob pena de sofrerem punições administrativas e penais”, informou. O DRS ainda não se posicionou.

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