Estou ciente que o objeto desta coluna de hoje seria mais interessante se fosse publicado em Birigüi ou Nova Serrana, onde há grande número de fabricantes de calçados infantis.
Acontece, porém, que os próprios pais ignoram o mal que fazem aos pés dos seus filhos calçados que podem deformar, às vezes para o resto da vida, um sensível pé em crescimento.
Faço parte do comitê da Sociedade Brasileira de Pediatria. Lá, temos reuniões periódicas para avaliar as amostras que os fabricantes nos submetem para obter o Selo da Aprovação da Sociedade.
É de pasmar e é de assustar o tipo de forma para calçado de criança que às vezes nos chega! Culpa do fabricante? Culpa do formeiro? O primeiro por querer ser original a qualquer custo e o outro por desconhecer os mais elementares ditames da anatomia?
Difícil de julgar, mas fácil de condenar, porque a criança, um ser indefeso sofrerá as conseqüências de um pé malformado devido, ao calçado impróprio. Dá pena ver adolescentes com joanetes pronunciados, com artelhos encavalados e outras anormalidades.
A locomoção de uma criança, com alguma ajuda, começa entre 11 e 12 meses. No décimo quarto mês a criança começa a andar sozinha. Com dezessete meses é capaz de andar para os lados e para trás e com 21 meses já é capaz de subir ou descer escada sozinha, pisando sempre com o mesmo pé. A Associação Pediátrica de Califórnia reporta que 80% de crianças de qualquer idade têm problemas com pés devidos ao uso de calçados impróprios.
Em que períodos deveria ser conferido o calce correto dos calçados? Na idade de 1 a 6 anos, a cada 2 meses; de 6 a 10, três meses; de 10 a 12 anos, quatro meses; de 12 a 15 anos, cinco meses; de 15 a 20 anos, seis meses; mais de 20 anos, a cada compra do calçado novo.
Muito bem. Mas como um leigo pode identificar a inadequação do calçado? Existem sinais inequívocos que ajudam identificar problemas: se a criança tira repetidamente o calçado, pode ser que o calçado está ficando curto. Cada sinal de mancar pode acusar calçado impróprio. Se o forro do calçado acusa desgaste excessivo na área do dedão, o calçado é curto. É bom sentir se os dedos não deformam o calçado. Observar se não há marcas vermelhas no topo do pé ou sobre os artelhos. É indicador do calçado estreito e/ou curto.
E atenção: se as solas estão com desgaste excessivo do lado de fora ou de dentro do pé, pode significar algum problema com tornozelo. É caso para um especialista indicar o melhor corretivo para esta ocorrência.
Tenha cuidado quando descartar algum calçado, porque descartando o calçado que demonstra o problema, pode estar perpetuando os problemas dos pés.
Não ‘transfira’ calçado dos mais velhos para os mais novos. O padrão de calce de cada pessoa é diferente. O tamanho pode corresponder, mas o padrão do calce pode ser diferente e somente uma inspeção cuidadosa, analisando o desgaste, pode indicar se o calce será igual.
Como dizem os podólogos e os pediatras, nós temos somente dois pés e queremos que nos carreguem por toda a vida. Cuidemos deles bem, desde a mais tenra idade!
ÊNFASE
Mais de 150 novas empresas participaram de exposição Out Door em Friedrichshafen na Alemanha em julho. Foram 787 exibidores de 40 países. A ênfase nas criações esteve centrada em leveza, durabilidade, respiração dos materiais, liberdade de movimentos, conforto e segurança. Muito destes itens se aplicam aos calçados e botas.
GIGANTISMO
Reebok expande a sua atuação na Índia para aproveitar o crescimento da classe média ávida pelos produtos de nível mundial. Está abrindo lojas na proporção de uma a cada dois dias. Até o fim deste ano terá 850 lojas próprias.
PAQUISTÃO
Paquistão aumentou a exportação de calçados de couro para 3 milhões de pares por mês a partir de maio 2008. Aumento de 18%. Houve queda de 22,9% na produção do calçado com sola de couro, em parte atribuída a problemas com qualidade.
CONQUISTANDO MERCADOS
A província de Xinjiang, ao norte da China (faz divisa com Mongólia, Rússia, Cazaquistão, Índia e Paquistão) exportou no último semestre calçados no valor de mais de 10 bilhões de dólares, um aumento de 120%.
NÃO SERÁ FÁCIL
Devido às medidas antidumping tomadas pela União Européia contra calçados da China e do Vietnã, a importação de calçados para a Europa caiu em 2,9% nos primeiros cinco meses deste ano. O Brasil figura em quinto lugar dentre os países exportadores após a China, Vietnã, Índia e Indonésia. E não será fácil manter este quinto lugar!
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
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