Houve um tempo em que o judô brasileiro era comandado por uma família. Atletas renomados, como Aurélio Miguel, medalhista olímpico, decidiu iniciar uma cruzada contra os Mamedes. Acusou-os de usar a principal entidade do País como extensão de sua casa, entre outros desmandos ainda mais graves. Além disso, ele reclamava que os atletas não tinham o apoio necessário para representar o Brasil em Mundiais e Olimpíadas.
Para Miguel, todos viviam do próprio esforço pessoal. O imbróglio durou anos e chegou aos tribunais, assim como aconteceu com o basquete masculino. A falta de entendimento afetou a participação do Brasil nos mais diversos torneios. O esporte deixou de crescer e se viu envolvido em notícias diárias de corrupção e desavenças. Ao invés de histórias de superação, o que se viu neste período foi pura tristeza. Isto ameaçou o desenvolvimento do esporte e o declínio passou a ser inevitável.
Somente aí as partes em litígio resolveram sentar à mesa e negociar. Um acordo foi alinhavado e os problemas resolvidos. Os Mamedes ainda duraram dois anos à frente da entidade, mas aceitaram dividir o poder e novos nomes foram surgindo. Com isso, o judô voltou a trilhar o caminho das vitórias. Hoje, a organização do esporte é invejável. Há problemas, sem dúvida, mas a preparação dos judocas presentes em Pequim foi uma das melhores já vistas.
Todos permaneceram treinando por um longo período, além de ter disputados torneios preparatórios em várias partes do mundo. Além dos atletas titulares, os que lutam em Pequim, a delegação incluiu o time reserva. A idéia é simples: como o esporte precisa sempre de um oponente, os melhores de cada categoria, fora os que representariam o país, foram convocados para servir de sparring dos titulares. A tática dá certo e o intercâmbio possibilitou aos mais novos e desconhecidos como Ketleyn Quadros surpreender na China. Não há inexperientes no time brasileiro. Há aqueles que nunca disputaram uma Olimpíada.
Hoje, o Brasil é considerado uma potência no judô. Atletas de todo o mundo vêm treinar aqui e conhecer de perto nossos campeões. Dificilmente, um torneio mundial termina sem que um brasileiro vença alguma categoria.
Toda esta história deveria servir de inspiração para o basquete. Enquanto o masculino não disputa há 12 anos, o feminino naufraga na quadra de Pequim. E todos, sem exceção, dizem que é culpa do "Grego" (Gerasime Bozikis, presidente da Confederação Brasileira de Basquete desde 1997). Enquanto as picuinhas impedirem um acordo, os brasileiros ficarão à margem do esporte. O entendimento se faz necessário, até porque os resultados são absolutamente insatisfatórios. Enquanto cada um olhar para seu próprio umbigo, o Brasil não irá a lugar nenhum.
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