Já há muito tempo não é novidade a ocupação por mu lheres de espaços de trabalho antes reservados ao homem. No meio rural, não é diferente. Elas enfrentam o preconceito e encaram de frente desafios que, à primeira vista, são bem complicados para uma mulher sem experiência nos negócios do campo. Difícil mas não impossível. A vida da professora aposentada Eulália Maria Jacintho Mesquita, 70, e de outras tantas mulheres é uma prova.
Eulália não é do tipo que fica em casa fazendo crochê e esperando o tempo passar. Ela não quer saber de descanso. Sozinha, ela toca um sítio de sete hectares na zona rural de Itirapuã, sendo cinco deles de plantação de café.
Durante 20 anos, Eulália acompanhou, meio que de longe, o marido cuidar de tudo enquanto ela se dedicava à sala de aula. Há oito anos, seu companheiro morreu e ela não teve dúvidas: assumiu a propriedade. Com a aposentadoria do magistério, há três anos a dedicação se tornou total. Como era esperado, sentiu muita dificuldade no começo. “Eu tinha uma visão do que era café, mas não sabia como era enfrentar uma crise de baixa produção e preço do produto”.
Com os filhos morando na capital, Eulália contou com a ajuda de um irmão agrônomo que a orientou sobre como lidar com a lavoura de café. Hoje é ela quem contrata os funcionários para a colheita e negocia o preço.
Dificuldades também não faltaram para a agricultora Sandra Maria Ramos, 46. Há cinco anos, ela passou a administrar sozinha uma propriedade de 30 hectares em Pedregulho. Para dar conta de tanto grão, ela mesma contratou 40 pessoas para trabalhar na lavoura. “Fui casada por 20 anos e meu ex-marido sempre foi o responsável por tomar conta da propriedade. Quando nos separamos, há cinco anos, eu assumi tudo sozinha”.
Sandra lembra que enfrentou muito preconceito no começo. “Muitas pessoas, quando vêem que vão negociar com uma mulher, acham que podem levar vantagem”. Para a agricultora, um de seus grandes orgulhos é ter vencido essa visão preconceituosa da mulher. “No início eu tinha muito medo, mas com o tempo fui adquirindo experiência e aprendendo o trabalho. Hoje faço tudo sozinha. Até negocio na bolsa”.
Em Franca e nas cidades da região, não há dados oficiais de quantas mulheres tocam negócios rurais sozinhas.
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