O tempo devia parar, contrariando a conhecida música do Cazuza. Aliás, não custava nada ter parado há muitos anos atrás, quando a idade não me pesava tanto. Isso, porém, é uma utopia, muito embora os episódios, os acontecimentos na vida de uma pessoa sejam, mais ou menos, cíclicos.
De fato, a vida da gente obedece a uma sucessão de repetições, do nascimento à velhice, à idade provecta.
Recebi dias desses um e-mail do meu grande amigo Rinaldo Pirro, francano de quatro costados, residente em São Paulo, que expressa uma incontestável verdade. E não há como não reconhecer: uma dura realidade.
Num primeiro momento, o texto nos faz rir, até mesmo gargalhar, pois não deixa de ser inteligentemente (ou maldosamente) espirituoso. Prefiro considerá-lo inteligente, embora não deixe de refletir o que virá por aí na vida de todos nós. É um caminho irreversível que todos irão trilhar e que só a morte poderá interromper.
Eis aí o que vem a ser sucesso nas várias etapas da nossa vida, segundo a sabedoria popular e o e-mail do Pirro: aos 2 anos é conseguir andar; aos 4 anos é não fazer xixi nas calças; aos 12 anos, é ter amigos; aos 18 anos, sucesso é ter carteira de motorista; aos 20 anos sucesso é fazer sexo; aos 35 anos, é ter dinheiro.
E se você acha que termina aí, com a riqueza, não termina. Recomeça: aos 50, é ter dinheiro; aos 60 anos, é fazer sexo; aos 70 anos, sucesso mesmo é ter carteira de motorista; aos 75, é ter amigos. Aos 80, é não fazer xixi nas calças. E aos 90, sucesso é conseguir andar!
Será que os leitores concordam? Ou teriam eles outra opinião a respeito?
Henrique O. Marconi
Advogado Tributarista e autor de três livros de contos
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