Cacilda tenta voltar à rotina após a morte de Marcela


| Tempo de leitura: 2 min
FALTA ALGUÉM - Cacilda Ferreira mostra o berço vazio onde Marcela passava grande parte do dia deitada. Por enquanto o berço ficará montado. “Sempre quando acordo olho para ele”
FALTA ALGUÉM - Cacilda Ferreira mostra o berço vazio onde Marcela passava grande parte do dia deitada. Por enquanto o berço ficará montado. “Sempre quando acordo olho para ele”
Uma semana após a morte da filha Marcela de Jesus Ferreira, bebê que nasceu sem cérebro em 2006 em Patrocínio Paulista, Cacilda Galante Ferreira tenta voltar à rotina que estava acostumada a viver no sítio com a família a 18 quilômetros da cidade. Ela revela que nos primeiros dias ficou perdida, já que toda a sua rotina era em função da criança. “O que mais marca a ausência dela é o berço vazio. Quando eu acordo sempre olho para ele e ela não está”. Cacilda mantém o mesmo semblante tranqüilo do tempo em que passou ao lado da filha por um ano e oito meses. Com fala mansa, fala que sente saudade da filha. “Sinto falta dela, mas não estou triste por que fiz tudo o que podia por ela. O presente que dei a ela foi a vida”, disse. A mãe de Marcela afirma que ainda não parou para pensar como será a vida sem a caçula. Por enquanto ficará na casa no Bairro do Marumbé. “Estou com pressão alta. Vou aproveitar para cuidar um pouco da minha saúde”. Ainda não desmontou o berço da filha e o mantém arrumado. Algumas peças de roupas foram doadas a uma vizinha. Mesmo diante da gravidade do caso de Marcela, Cacilda contou que ficou o máximo que pôde ao lado da filha no último dia de vida da criança. Conta que conversou muito com a filha. “Eu disse a ela que não queria que ela sofresse e que se fosse para ela ir, que fosse em paz”. Com saudade da filha, Cacilda foi até o cemitério na última quarta-feira para visitar o jazigo da criança. “Conversei muito com ela e disse a ela que não darei sossego. Sempre irei ao cemitério para visitá-la”. PEREGRINAÇÃO Não é só Cacilda que tem ido ao cemitério. De acordo com o zelador do Cemitério Municipal de Patrocínio Paulista, José Antônio Cícero, mais de 500 pessoas passaram pelo jazigo da criança desde o último domingo. “As pessoas vão até o túmulo para rezar. Algumas pessoas foram enterradas aqui e receberam muitas visitas, mas o da Marcela não tem igual”. Cacilda Ferreira acha tudo muito normal. “Eu achava mesmo que isso fosse acontecer. Quando eu estava na Santa Casa muitas pessoas foram me dar apoio”. De acordo com a médica pediatra Márcia Beani Barcelos, que acompanhou Marcela desde o nascimento, o que matou a criança não foi a anencefalia. Marcela aspirou leite, que vedou o pulmão direito. Além disso, ela estava com pneumonia. O bebê morreu no último dia 1º de agosto na Santa Casa de Franca.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários