Há um ano, desde o seu “nascimento”, a OSF (Orquestra Sinfônica de Franca) luta para sobreviver e alçar vôo além do interior de São Paulo. A cada dia as dificuldades são enfrentadas e superadas em conjunto. Há quatro meses a orquestra deu mais um passo: o maestro Nazir Bittar assumiu a sua regência. O concerto de reestréia acontece hoje, às 21 horas, para a imprensa e convidados. Amanhã, às 20 horas, a apresentação será aberta ao público, com ingressos a R$ 10 (inteira), R$ 5 (antecipado e meia) ou um quilo de alimento.
O maestro Nazir Bittar ressalta que o repertório cuidadosamente escolhido para o público francano é formado por obras dos grandes mestres, como Bach, Händel, Mozart e Bizet. “Todas as canções são originais, sem arranjos. A única que tem um arranjo no piano é uma obra de Inah Sandoval, compositora francana falecida em 2003”, disse, acrescentando que se o público pedir “bis”, a Orquestra preparou uma surpresa para os amantes da dança de salão.
A apresentação terá duração de 45 minutos com o seguinte programa: Händel - Wassermusik - Hornpipe; Bach - Magnificat - Excertos (participação do Quarteto Opus Vivace, de Franca); Mozart - Ave Verum, Mozart - Laudate Dominum (ambos com a participação do Coral da Igreja Adventista sob a regência de Gladys Pádua); Inah Sandoval - Alma Espanhola e Bizet - Suite da Opera Carmen.
Neste primeiro concerto, o maestro procurou já apontar o caminho que a OSF vai percorrer daqui para frente: obras da literatura sinfônica, trabalho conjunto com músicos da cidade e a inclusão de uma peça de uma compositora francana. “Vamos contar com convidados especiais como o Coral da Igreja Adventista, o Quarteto Opus Vivace, Lúcia Garcetti e Maikon Della Vego”, adiantou.
O MAESTRO
Natural do Rio de Janeiro, Nazir Bittar foi criado em Franca, onde iniciou seus estudos de piano na antiga Escola Técnica Musical Pestalozzi. Durante o período de graduação em Regência na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), participou de vários cursos no Brasil e no exterior.
Em 1992, estudou em Londres. Na Alemanha, onde residiu durante 11 anos, Nazir Bittar foi aluno da Robert Schumman Musikhochschule de Düsseldorf, tendo como professor Ludwig Herbig.
O maestro trabalhou com cantores de ópera, atores e bailarinos da companhia de dança de Johann Kresnik, um dos mais renomados do mundo no que diz respeito à dança contemporânea.
De volta ao Brasil em 2006, Nazir Bittar ingressou no ano passado no curso de doutorado da Unicamp, realizando um trabalho interdisciplinar que engloba ópera, literatura e estudos de gênero, numa temática completamente brasileira. Em Campinas realizou concertos com a Orquestra Sinfônica da Unicamp e fez direção musical da peça O Homem do Princípio ao Fim, de Millôr Fernandes, sob a direção de Ricardo Moreira.
A OSF
Criada em agosto do ano passado, a Orquestra Sinfônica de Franca é fruto de um ideal dos irmãos Marcos e César Oliveira. Com outros músicos, eles reuniram seus alunos e conhecidos e formaram um grupo orquestral, que posteriormente tomou o corpo de uma verdadeira orquestra sinfônica.
Desde então, foi criada a “Associação Cultural da Região da Alta Mogiana”, para cumprir todas as exigências burocráticas. Hoje a mantenedora da OSF, presidida pelo advogado Nelson Barduco Júnior, conta com o apoio do governo municipal e da iniciativa privada (cinco empresas) para a manutenção dos gastos.
Júnior faz questão de ressaltar que a Associação pode receber doações de qualquer pessoa. “Quem quiser doar, por exemplo, R$ 10 por mês será muito bem-vindo. Estamos nos preparando para entrar nos moldes da Lei Rouanet e então o empresário que quiser contribuir com uma quantia maior terá abatimentos e isenções no seu pagamento do imposto de renda”, explica.
Atualmente a OSF possui 38 integrantes (de Franca e um de Ribeirão Corrente): 33 músicos, 4 cantores solistas e um maestro. Na nova fase em que se encontra, sob a regência do maestro Nazir Bittar desde abril, a Orquestra prioriza um trabalho minucioso, que vai desde o cuidado com a afinação dos instrumentos até o entendimento maior das obras executadas.
De acordo com o maestro, muitos desses músicos começaram no Projeto Guri e têm entre 13 e 33 anos de idade. “É um trabalho gratificante, mesmo apesar das dificuldades financeiras e musicais. É uma troca de energia muito boa. Eu revigoro minhas energias vitais que não tenho mais aos 38 anos”, ressalta Nazir Bittar. “Vejo o progresso deles - no começo era muito bruto, sem esmero em termos de afinação. Hoje eles afinam em 10 minutos o que antes demorava meia hora. Há que se destacar a postura e a responsabilidade que adquiriram, pois apesar da hierarquia, eu os trato como profissionais”, explica.
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