Semaninha difícil essa. Primeiro somos informados de que nossa sociedade não é mais uma sociedade de indigentes, agora somos uma sociedade de medíocres. No bom sentido é claro.
Mas nem bem conseguimos comemorar nossa ascensão socioeconômica já somos surpreendidos pelo resultado do Enade no qual se descobre que dos 3.239 cursos superiores avaliados pelo Ministério da Educação do País dos Medíocres, apenas 25 obtiveram nota máxima. Um resultado extraordinariamente medíocre, agora sim no sentido mais perverso que a palavra permite.
Os números revelam o que todos os brasileiros atentos aos movimentos do mercado e da sociedade já sabiam - a qualidade do ensino no Brasil é questionável, para dizer o mínimo. Mas o que mais chama a atenção é que mesmo com números tão ruins o negócio da educação não pára de crescer. Nos últimos anos a oferta de vagas no ensino superior privado só fez crescer, sendo que algumas empresas do ramo figuram no topo do ranking de empreendimentos de sucesso.
É a lógica do socialmente correto misturada com a esperteza do politicamente incorreto - facilita-se o acesso à universidade, porém “no es possible dar la garantia de qualidade”.
Provavelmente nos próximos dias uma enxurrada de justificativas, discursos raivosos e medidas pirotécnicas emergenciais darão aos medíocres (por favor, fique à vontade para usar o sentido que preferir) a impressão que nossos Homens de Estado estão preocupados em dar um novo rumo a tudo que aí está e que há anos nos limita como nação de terceiro mundo.
Digo provavelmente porque se o Ronaldinho Gaúcho desencantar em Pequim e nossa seleção canarinho finalmente conquistar o ouro olímpico nada mais importará aos medíocres. Nem mesmo sua medíocre realidade educacional.
Mas, voltando ao tema negócio, fico imaginando se ao invés de profissionais nossas universidades colocassem no mercado pneus, por exemplo. Imagine você se de cada 3.239 lotes de pneus produzidos apenas 25 tivessem a qualidade necessária para garantir a segurança dos veículos?
O que aconteceria com os fabricantes? Como se comportariam os consumidores? Talvez aí esteja o grande “gato” do negócio. A aferição da baixa qualidade do produto final do negócio educação não obedece a critérios mensuráveis, muito menos rastreáveis.
Quando uma determinada universidade coloca no mercado um determinado número de profissionais sem a menor qualificação, os chamados “autorizados a exercer”, o mercado rapidamente os coloca de lado e então eles passam a engrossar os índices de desemprego ou de subemprego e a análise toma outra dimensão - a da falta de oportunidade no mercado de trabalho -, quando na verdade o mercado clama por mão-de-obra qualificada e capacitada.
O pior é que os maiores prejudicados - os profissionais recém formados - não têm a quem reclamar e são mais uma vez chamados a voltar aos bancos da universidade em busca de um “algo a mais” na sua formação.
Esse estelionato educacional é uma bola de neve com efeitos deletérios para o mercado e para os jovens que apostam todas as fichas num jogo de cartas marcadas onde a regra é viciar o jogador e lucrar sempre.
Só pra encerrar, vale lembrar que os 25 cursos que receberam nota máxima estão sob os auspícios de universidades públicas, o que de certa forma torna a realidade mais dura ainda, afinal de contas quantas vagas as universidades públicas oferecem por ano em seus cursos? E o que é pior, quantos cursos em universidades públicas existem? Apenas vinte cinco? E os outros, que resultados alcançaram?
‘DELIRIUS POLITICUS’
E não é que a mania do “delirius politicus” está por toda parte! Numa espécie de epidemia é possível ouvir comentários sobre as eleições municipais por toda parte. A mania já tomou conta até da Internet. Nesta semana circulou pela rede um e-mail com uma lista de quatro nomes que alguém acredita serem fortes candidatos para concorrer às eleições de 2012 à prefeitura de Franca. Detalhe importante: quatro nomes de mulheres.
FICOU BOM! PODE MELHORAR!
A semana termina com um bom resultado para a empresa responsável pelo abastecimento de água da cidade. O cronograma estrategicamente elaborado permitiu uma trégua entre empresa e usuários. Pode ficar melhor se nos próximos dias a população se sentir segura e efetivamente ressarcida em parte de seus prejuízos.
ESTÁ RUIM? PODE PIORAR
Em razão do que vimos no Enade o título desta nota fala por si.
PRA NÃO PERDER A PIADA
E como não podia deixar de ser, é sobre política a piada de hoje. Vem de Porto Velho (RO) a notícia de que um candidato a vereador foi preso por suspeita de distribuir pintinhos em troca de votos. De acordo com informações colhidas, cerca de 4 mil pintinhos foram apreendidos pela Polícia Federal com um dos cabos eleitorais do candidato. Por conta disso tem gente falando que o slogan do tal candidato é “vote em mim e leve...”.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
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