Morte de égua deixa família carente sem ‘ganha pão’


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ERA UMA VEZ... - Sônia dos Santos e os filhos Carlos e Denis (à direita) mostram a carroça que era puxada pela égua Princesa, morta no domingo. Garoto pede doação de outro animal
ERA UMA VEZ... - Sônia dos Santos e os filhos Carlos e Denis (à direita) mostram a carroça que era puxada pela égua Princesa, morta no domingo. Garoto pede doação de outro animal
Há dois anos, a família de Carlos Santos da Silva, 12, ganhou uma égua de uma senhora para que pudesse recolher e vender recicláveis. Carlos ficou apegado ao animal, que considerava de estimação e batizou com o nome de Princesa. Ele brincava com a égua, a alimentava nas mãos, dava banhos e usava para fazer fretes e ajudar a sustentar os pais, irmãos e primos. A relação terminou de forma trágica. No último domingo, Princesa morreu. Carlos está arrasado e pede doação de outro animal. A égua começou a passar mal na semana passada. Os donos notaram que estava com a barriga inchada e sem evacuar. A mãe de Carlos, Sônia dos Santos, 31, tentou curá-la com remédios caseiros, mas não resolveu. Na quarta-feira, pediu para um vizinho que cria cavalos levar Princesa em seu caminhão até o Hospital Veterinário da Unifran (Universidade de Franca). No mesmo dia, foi operada, pois havia ingerido lixo (corda, plástico e pedras). “Ela comeu os recicláveis que a gente catava”, disse Sônia. Princesa ficou internada até domingo, mas não resistiu. “Se sobrevivesse, a gente ia mudar o nome para Vitória”, disse a mãe. Desde que a família recebeu a notícia da morte, Carlos está triste. Ele chorou muito a perda do animal. Durante a entrevista ontem, ficou o tempo inteiro cabisbaixo ouvindo a mãe relatar o histórico da égua. “Fiquei muito mal porque ela era meu bichinho de estimação, servia para fazer frete, ajudar minha família”, disse o garoto. “Eu dava banho, chamava e ela atendia. Ela era dócil, amiga. Gostava muito dela”. O pedido de Carlos é para alguém doar outro animal para ele. “Um fazendeiro que tem um monte de éguas poderia dar uma para mim, se possível. Se eu ganhasse outro animal, queria ajudar minha família e brincar com ele”, sugere. A égua era importante para os familiares, que vivem numa casa simples no Jardim Cambuí. Puxando a carroça, era usada para transportar recicláveis, fazer transportes e buscar lenha numa fazenda a quatro quilômetros de onde residem. Sônia cozinha assim por não ter gás. “A gente fazia frete e cobrava de R$ 8 a R$ 15 por viagem. Quando recebia, conseguia comprar arroz, feijão e leite para o Carlos”, disse Sônia. Carlos, que faz tratamento na Apae de Franca, disse que tem passado dificuldades. “Não é todo dia que temos o que comer e leite para eu tomar”, disse ele, que consome um litro do líquido por dia. A família passa necessidades. De lembranças da égua, ficaram o arreio, a carroça e o milho para alimentá-la.

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