Evangélicos pressionam para aumentar o som dos cultos


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EXPECTATIVA -  O plenário da Câmara ficou totalmente lotado, ontem, por fiéis que queriam o aumento do limite de som dos templos religiosos. Cânticos e palavras de ordem interromperam a sessão por várias vezes
EXPECTATIVA - O plenário da Câmara ficou totalmente lotado, ontem, por fiéis que queriam o aumento do limite de som dos templos religiosos. Cânticos e palavras de ordem interromperam a sessão por várias vezes
Uma emenda ao Código Ambiental do Município foi o principal assunto discutido entre os vereadores, na Sessão Ordinária de ontem. A proposta, de autoria do vereador Zezinho Cabeleireiro (PTB), pretendia elevar o limite de som dos templos religiosos, dos atuais 45 para 80 decibéis. Depois de uma longa discussão, a votação foi adiada para a semana que vem. As discussões causaram uma enorme polêmica e foram acompanhadas de perto por cerca de 140 fiéis que compareceram à sessão com a expectativa de que a elevação do limite pudesse permitir a reabertura da Igreja Assembléia de Deus - Ministério da Recompensa, lacrada pela fiscalização da Prefeitura no fim de semana. Durante a sessão, os religiosos interromperam os vereadores com palavras de ordem, aplausos ou vaias, enquanto alguns vereadores, incentivados pela presença dos fiéis, acusaram a Prefeitura de perseguição e intolerância religiosa contra os evangélicos. Gilson Pelizaro (PT), candidato a prefeito, era um dos mais exaltados. “O que vemos nos últimos meses é perseguição religiosa”. Silas Cuba, do mesmo partido, repetiu a acusação e frisou que outras lacrações poderiam ocorrer pelo mesmo motivo. “Amanhã pode ser qualquer outra igreja e não é possível que em Franca tenhamos intolerância religiosa”, disse. O autor do projeto reconheceu que a elevação pretendia atender às necessidades das igrejas. “O que a gente queria era dar um pouco mais de folga na lei, porque todas as igrejas estão fora da lei”, admitiu. VIRADA A tendência de aprovação do projeto, que já tinha sido manifestada por diversos vereadores, só começou a mudar depois do pronunciamento de Graciela de Lourdes David Ambrósio (PDT). Citando reportagem do Comércio de ontem, ela lembrou que havia diversas reclamações da vizinhança sobre o volume dos cultos da igreja lacrada. “Nós também temos que olhar para o lado das pessoas que estão reclamando”, ponderou. Na sua opinião, para aprovar uma mudança na legislação seria necessário fazer um estudo técnico sobre as suas conseqüências. Ela apresentou um requerimento de adiamento da votação, que foi aprovado graças ao voto de minerva do presidente Joaquim Ribeiro (PSB). Gritando palavras de ordem e entoando cânticos religiosos, os evangélicos deixaram a Câmara ameaçando os vereadores que votaram pelo adiamento da votação. “Anota o nome deles porque também somos eleitores e vamos lembrar deles na eleição”, diziam os mais exaltados.

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