Um pai atrás das grades


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Ao longo do tempo, sempre houve órfãos de pais vivos. Principalmente por parte de pai. No entanto, com a tendência moderna de relacionamentos relâmpagos, entre homem e mulher, parece ter aumentado assustadoramente o número de filhos sem a figura paterna por perto, como referência de proteção. Na maior parte das vezes, a mãe sozinha acaba criando a criança, podendo, em poucas ocasiões, contar com a ajuda dos avós. Toda e qualquer criança quer mesmo é viver em uma família. Noutras palavras, quer ter por perto a mãe e o pai. Conjunção essa dificílima nos dias atuais. Porque, por um motivo ou outro, a vivência resume-se à presença de apenas um dos responsáveis pelo infante. Isso quando a criação ou o cuidado propriamente dito não fica mesmo ao encargo de terceiros. A paternidade responsável engloba todo tipo de apoio ao filho. Além do aspecto financeiro, o que mais importa é o lado afetivo, o companheirismo, enfim a vivência familiar. Somente assim, uma criança é capaz de crescer, desenvolver-se e se sentir amada ou amparada ao mesmo tempo. E a resposta à provisão ou carinho pode vir no futuro, em forma de reconhecimento para com o pai. Ou muito pelo contrário. Há filhos, já na casa dos 18 anos, que nem se afligem ao saber da prisão do pai, por falta de pagamento da pensão alimentícia. No caso de uma separação entre marido e esposa, muita vez, um pai faz acordo judicial para pagar uma determinada quantia mensalmente às crianças. O tempo passa, os filhos chegam à adolescência e a situação financeira do pai sofre alteração, para pior. Esse progenitor deixa então de cumprir o encargo financeiro. Não dá outra. Acaba atrás das grades. É a lei! E, como se sabe, uma decisão judicial é demorada. Enquanto isso, o pai permanece na prisão. Até poder comprovar a falta de recursos, demanda tempo. Nesse ínterim, atrás das grades, passa pela pior experiência de um ser humano. Os filhos não se apiedam do prisioneiro. O juiz não tem pressa. A liberdade física de uma pessoa vira moeda. Todo fato tem duas faces. Tudo apresenta um pólo negativo e outro positivo. Assim como não é justo de jeito nenhum alguém abandonar os filhos pequenos à própria sorte, também é condenável a atitude de filhos crescidos querendo pensão. Ainda mais de um pai que não pode pagar o encargo legal e está preso exatamente por isso. O mundo seria bem melhor se todo pai cuidasse do filho. Mas, quando um homem não assume sua paternidade, pelo menos no aspecto financeiro, o melhor mesmo é deixar esse pai de lado. Já foi embora tarde da família. Quem nega a sobrevivência física aos filhos, muito provavelmente também não supriu antes as carências afetivas da criança. Por isso, adianta muito pouco a atitude feminina de buscar a justiça, para reparar a falta pecuniária do pai. A paternidade é um ato natural. O desvelo deve ser espontâneo. Tanto do pai para com o filho, como deste para com aquele que foi co-responsável pela sua geração. Nessa área, nada pode ser por obrigação. O que conta mesmo é o amor! Antônio Araújo Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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