Projeto cria usina de adubo a partir do lixo


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INOVAÇÃO À VISTA - Tratores fazem compactação do lixo doméstico no aterro sanitário. Implantação do novo processo possibilitará transformar resíduos em adubo e diminuirá i
INOVAÇÃO À VISTA - Tratores fazem compactação do lixo doméstico no aterro sanitário. Implantação do novo processo possibilitará transformar resíduos em adubo e diminuirá i
Toneladas de lixo por quilos de adubo. O projeto de uma pesquisadora francana pode decretar o fim dos lixões e aterros sanitários começando por Franca, substituindo-os por uma espécie de usina de adubo. A idéia da pós-doutora em questões ambientais, Joana D’Arc Félix, foi apresentada e testada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e já foi patenteada em 40 países. O objetivo é minimizar os prejuízos ao solo causados pelos aterros, além de gerar lucro com a venda do fertilizante. Atualmente, o aterro sanitário de Franca recebe, em média, 200 toneladas de lixo doméstico por dia. Os caminhões são pesados e, em seguida, o lixo é compactado por um trator de esteira. Depois, ele passa por processos de drenagem e é enterrado com proteções para que não haja infiltração no solo. O processo dura cerca de seis horas. A previsão de vida útil do aterro francano é de 24 anos. Pelo sistema desenvolvido pela pesquisadora, o lixo é levado para um triturador, onde é moído. Depois é jogado em um tanque que tem agitação e aquecimento. Após um período esquentando, o lixo recebe água e o composto químico desenvolvido pela pós-doutora. Depois de seis a oito horas, transforma todo o lixo em fertilizante líquido e sólido, além de separar os metais pesados. O composto químico que separará o lixo e o transformará em adubo é formado basicamente por três enzimas obtidas com ervas e plantas. A primeira faz a “digestão” do lixo, transformando-o em uma pasta. A segunda é a responsável pela separação dos metais pesados do resto. A última enzima e mais importante é a que transforma todo o lixo no fertilizante NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) em estados sólido e líquido. A quantidade de material usado para a fabricação do produto é 10% do peso do lixo. Ou seja, para cada 100 quilos de lixo, usam-se 10 quilos do produto químico. O material é sintetizado em laboratório a partir de plantas comuns encontradas na zona rural de Franca. “São plantas de fácil acesso. A produção delas é intermitente, o que garante meu procedimento pelo tempo que for necessário”. O método da pesquisadora custa cerca de R$ 100 por tonelada de lixo, enquanto o processo atual custa R$ 60. Embora seja mais caro, a pós-doutora defende que a venda do fertilizante gerado poderia suprir esta desvantagem. “O preço de mercado do fertilizante é de R$1,50 e é amplamente utilizado em qualquer lavoura”, disse Joana, que promete ceder todo o adubo gerado para a Prefeitura. O projeto foi apresentado para a Secretaria de Meio Ambiente de Franca. O secretário da pasta, Ismar Tavares, disse que, por enquanto, não há um posicionamento oficial de como a Prefeitura vai apoiar o projeto. “Estamos esperando alguns documentos da pesquisadora para analisar os custos e saber de que forma vamos trabalhar isso e se é realmente viável sua implantação”, disse o secretário.

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