O clima de animosidade se instalou definitivamente entre os moradores da Rua Capitão Caputo Azevedo, no Jardim América, em Franca, e os fiéis da Igreja Assembléia de Deus, que funciona irregularmente no prédio de uma ex-fábrica de calçados. Na noite de ontem, perto de 100 pessoas participaram de um culto no meio da rua, depois que a Prefeitura lacrou o imóvel por não possuir alvará que autorize seu funcionamento.
A administração interditou o local após pastores e fiéis desrespeitarem a notificação do Setor de Fiscalização da Prefeitura para que não realizassem cultos com baterias, equipamentos eletrônicos, e que isolassem o prédio.
Ontem, ao chegarem à igreja e encontrarem o prédio lacrado, os religiosos e fiéis tomaram a decisão de realizar o culto na rua. Logo após as 19 horas, saíram para uma volta em torno da quadra. Às 20 horas, a manifestação acabou com a chegada da Polícia Militar e de guardas civis municipais.
Os quase 50 minutos que duraram a culto improvisado foram suficientes para inflamar os ânimos de quem mora nas casas próximas à igreja, que funciona desde 7 de junho, com até 700 fiéis nos encontros de domingo.”De lá para cá minha vida acabou. Não adianta reclamar nem falar nada. Eles gritam e batem o pé com tanta força que chega a tremer”, disse a dona de casa Roseli de Jesus Cândido, mãe de uma bebê de 45 dias de vida.
OUTRO LADO
A pastora responsável pela igreja, Sara Pereira Taveira, disse que a interdição é uma perseguição religiosa da Prefeitura e dos vizinhos. Segundo ela, todas as providências para minimizar o problema do volume nos cultos foram tomadas. O isolamento acústico também será providenciado.
Em entrevista gravada, a pastora disse que três dias antes de inaugurar a igreja foi ameaçada por moradores do prédio vizinho que, segundo ela, não queriam uma Assembléia de Deus no local.
Sara Taveira afirmou duvidar que o som dos cultos seja o motivo principal da reclamações. Alguns integrantes com função de direção na igreja disseram que os moradores do prédio pressionam a prefeitura porque têm interesses imobiliários no galpão, onde, segundo eles, querem construir a área de lazer do residencial.
Diante da situação, os líderes da igreja prometeram comparecer à sessão da Câmara de hoje para protestar contra a interdição. O contrato de aluguel da Assembléia de Deus com o proprietário do imóvel é de três anos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.