O delegado Wanir José da Silveira esteve ontem na sede do 3º Deinter (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo), em Ribeirão Preto, para solicitar a transferência de presos que atualmente estão na Cadeia do Jardim Guanabara, em Franca. Seis dos presidiários estariam entre os prioritários para a transferência por apresentar problemas de conduta. Cabe agora ao Deinter encaminhar o pedido à Secretaria de Segurança Pública, que decidirá se aceita ou não a retirada dos detentos.
Atualmente a cadeia abriga 422 presos, sendo que a capacidade das celas é para 185 pessoas. “O problema tem nos trazido vários transtornos, já pedimos à administração penitenciária vagas no sistema, mas, até agora, não foram liberadas”, disse Wanir.
Atualmente, em cada uma das 26 celas da cadeia do Guanabara, 16 homens dividem pouco mais de 4 metros quadrados. A capacidade seria de seis presos por cela. “É humanamente impossível viver nas condições em que eles estão. As tentativas de fuga são constantes. Isso aqui virou um barril de pólvora perto de explodir”, disse uma carcereiro que pediu para não ser identificado.
No ofício entregue ontem, Wanir não especificou quantos detentos precisam ser transferidos, mas diz que o ideal seria metade deles. “Pelas condições da cadeia, o melhor seria que, pelo menos, 200 presos fossem levados para outros locais. Mas acho difícil que este número seja atingido, é muito alto”.
O delegado disse ainda que o pedido é reforçado pelo fato de parte dos presos não ser da cidade. “Nós pedimos algumas vagas com um certa urgência, tendo em vista que estes presos não são de Franca, são de fora daqui e não deveriam estar aqui.”
Além do grande número de detentos, a Cadeia do Guanabara está com duas celas a menos por causa de danos causados durante uma rebelião em abril deste ano. “Isto dificulta ainda mais a manutenção do alto número de presos aqui”.
A lotação tem aumentado a possibilidade de fugas. Com um número maior de ocupantes, a vigilância das celas se tornam mais difícil. No último dia 28, por exemplo, a administração da cadeia descobriu uma perfuração de aproximadamente 30 centímetros na parede de uma das celas. Após a descoberta, a cela foi esvaziada, a Prefeitura chamada para tampar o buraco e só depois os presos puderam voltar ao local. “Nós removemos todos os presos, recolocamos em outras celas para contornar a situação. O buraco já está totalmente cimentado e nós não temos mais problemas naquela cela”.
A Secretaria de Segurança ainda não deu o parecer sobre o pedido.
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