‘O regime fechado é um inferno’, reclama preso


| Tempo de leitura: 2 min
FORA DO INFERNO - Mário* é visto nas dependências da Apare, onde cumpre regime semi-aberto
FORA DO INFERNO - Mário* é visto nas dependências da Apare, onde cumpre regime semi-aberto
O detento Mário (nome fictício) cumpre pena há quatro meses em regime semi-aberto na Apare (Associação de Amparo ao Reeducando). Ele não quis revelar os motivos de estar preso. Diz que a cadeia do Jardim Guanabara é “um inferno” e que pretende cumprir o restante de sua pena na instituição. Afirma ainda que gosta de se sentir útil e que come muita “galinha e alface”. Comércio - Há quanto tempo está preso? Mário - Fiquei 60 dias no regime fechado e há 120 dias fui transferido para o semi-aberto, na Apare. Comércio - É muito diferente de fato ou é tudo cadeia? Mário - O regime fechado é um inferno. Todos ali estão num sofrimento total. Algumas coisas que é melhor, às vezes, nem comentar. Os irmãos, meninos que caem ali dentro, sofrem mesmo, de verdade. A pessoa está ali para pagar por um crime que cometeu, mas às vezes não é tão suja. Comércio - E como é estar na Apare? Mário - É um alívio. Desejo para todos esse alívio porque é daqui para a rua. Vou poder ter oportunidade e esperança de estar do lado da minha família logo. Comércio - E quais as suas tarefas diárias? Mário - Plantar, colher e levar para a cadeia. Eu já tinha uma certa prática. Plantar não tem segredo. Comércio - Quanto tempo ainda cumprirá de pena? Mário - Segundo minha conselheira, fico até novembro. Comércio - E quais os seus planos para quando sair? Mário - Trabalhar lá fora, entrar em uma firma registrado, cuidar da minha família, dar o melhor para ela e corresponder ao que ela está fazendo por mim. Comércio - Saindo da Apare, você acredita que seu acolhimento pela sociedade será diferente? Mário - Não tenho dúvida. Na Apare estou livre, mostrando meu desempenho e que eu tenho capacidade. Também dando um alívio para minha família, porque lá dentro é tanta humilhação quando a família vai visitar que ela fica constrangida em voltar. Aqui nossa família vem participar do nosso dia-a-dia. Lá dentro, o cara só vê grade, alguns minutos de sol e aquela blindada (marmitex) que come. A alimentação aqui é diferente: é muita galinha e alface.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários