O detento Mário (nome fictício) cumpre pena há quatro meses em regime semi-aberto na Apare (Associação de Amparo ao Reeducando). Ele não quis revelar os motivos de estar preso. Diz que a cadeia do Jardim Guanabara é “um inferno” e que pretende cumprir o restante de sua pena na instituição. Afirma ainda que gosta de se sentir útil e que come muita “galinha e alface”.
Comércio - Há quanto tempo está preso?
Mário - Fiquei 60 dias no regime fechado e há 120 dias fui transferido para o semi-aberto, na Apare.
Comércio - É muito diferente de fato ou é tudo cadeia?
Mário - O regime fechado é um inferno. Todos ali estão num sofrimento total. Algumas coisas que é melhor, às vezes, nem comentar. Os irmãos, meninos que caem ali dentro, sofrem mesmo, de verdade. A pessoa está ali para pagar por um crime que cometeu, mas às vezes não é tão suja.
Comércio - E como é estar na Apare?
Mário - É um alívio. Desejo para todos esse alívio porque é daqui para a rua. Vou poder ter oportunidade e esperança de estar do lado da minha família logo.
Comércio - E quais as suas tarefas diárias?
Mário - Plantar, colher e levar para a cadeia. Eu já tinha uma certa prática. Plantar não tem segredo.
Comércio - Quanto tempo ainda cumprirá de pena?
Mário - Segundo minha conselheira, fico até novembro.
Comércio - E quais os seus planos para quando sair?
Mário - Trabalhar lá fora, entrar em uma firma registrado, cuidar da minha família, dar o melhor para ela e corresponder ao que ela está fazendo por mim.
Comércio - Saindo da Apare, você acredita que seu acolhimento pela sociedade será diferente?
Mário - Não tenho dúvida. Na Apare estou livre, mostrando meu desempenho e que eu tenho capacidade. Também dando um alívio para minha família, porque lá dentro é tanta humilhação quando a família vai visitar que ela fica constrangida em voltar. Aqui nossa família vem participar do nosso dia-a-dia. Lá dentro, o cara só vê grade, alguns minutos de sol e aquela blindada (marmitex) que come. A alimentação aqui é diferente: é muita galinha e alface.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.