Em Franca, 8 detentos vivem fora do xadrez


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Trabalhar, estudar e aprender informática dentro da cadeia. Parte das propostas de um projeto de lei do deputado Marco Aurélio Ubiali (PSB), que tramita na Câmara Federal, já é uma realidade para oito detentos de Franca. Por meio da Apare (Associação de Amparo ao Reeducando), os presos em regime semi-aberto têm a oportunidade de cumprir a pena de maneira diferente dos mais de 400 que estão nas celas da cadeia pública do Jardim Guanabara. Na Apare, entidade com prédio anexo ao presídio, os presos dormem em camas, instaladas em quartos amplos, assistem televisão e fazem a própria comida. Em contrapartida, trabalham sete horas e meia por dia na confecção de calçados e no cultivo de uma horta. Pelos serviços, recebem R$ 140 por mês, que podem ser depositados em uma conta bancária ou encaminhados às suas famílias. Estes detentos têm tarefas definidas. Cinco deles trabalham na colagem e pesponto de calçados. Por dia, chegam a confeccionar 40 pares. Outros três são responsáveis pelo cultivo da horta. As verduras são encaminhadas para a empresa que fornece marmitas para a cadeia. A rotina do trabalho começa às 8 horas, com intervalo de uma hora e meia para o almoço, e termina às 17 horas. Quando não estão trabalhando, os atendidos na Apare limpam a moradia, lavam suas roupas e cozinham. Aparentemente, é muita coisa. Mas as diferenças com o regime fechado, segundo eles próprios, compensam o esforço. Na cadeia, os detentos dividem celas de seis metros quadrados com até outros 15 homens. Na entidade, o quarto é três vezes maior e abriga apenas seis. “A alimentação aqui é muita galinha e alface. Lá dentro o cara só tem a blindada (marmitex), vê grade e alguns minutos de sol”, disse Mário, na Apare há 120 dias. Nos próximos dias, serão iniciadas aulas de informática. Dois computadores já chegaram à Apare. O coordenador da associação, Nilton Ramos, afirma que a inserção vale a pena e que os presos aprovam a iniciativa. “Eles são detentos, estão cumprindo uma pena, mas são tratados dignamente e dão valor a isso”, disse.

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