Presa por engano quer indenização maior


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“QUERO MAIS” - A sapateira Isabel Cristina, o advogados Reginaldo Carvalho e o assistente de defesa Adauto Casanova entraram com recurso contra os R$ 10 mil de indenização arbitrados pela Justiça. Eles querem R$ 380 mil
“QUERO MAIS” - A sapateira Isabel Cristina, o advogados Reginaldo Carvalho e o assistente de defesa Adauto Casanova entraram com recurso contra os R$ 10 mil de indenização arbitrados pela Justiça. Eles querem R$ 380 mil
A sapateira Isabel Cristina Soares da Silva, 36, recorreu da decisão da 3ª Vara Cível do Fórum de Franca que sentenciou o Estado a indenizá-la em R$ 10 mil. Ela ficou três dias atrás das grades acusada de ter matado um homem em São Paulo, sendo que nunca esteve naquela cidade. Os advogados da vítima consideram o valor irrisório e ingressaram com um recurso de apelação para elevar a quantia para R$ 380 mil. Isabel Cristina Soares da Silva não concorda com o valor estipulado pela Justiça na ação indenizatória que vem movendo contra o Estado por ter sido presa por engano em março do ano passado. Dos R$ 380 mil pedidos de indenização, o juiz Humberto Rocha concedeu à reclamante apenas R$ 10 mil. “Estou indignada com o valor indenizatório. R$ 10 mil não pagam 1% do que eu passei”, disse a sapateira. O crime atribuído a Isabel Cristina aconteceu no dia 17 de julho de 1991, no Bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo. Nilson Sant’ana foi assassinado pelo próprio irmão Dorival Sant’ana, durante uma briga por causa de um imóvel. Mesmo sem nunca ter ido à capital e sequer conhecido a vítima e o autor, num erro grosseiro cometido pela Justiça, foi expedido pela 2ª Vara do Fórum daquela comarca um mandado de prisão contra a francana. A sapateira descobriu que estava envolvida no assassinato, quando procurou um despachante para renovação de sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação). “Fiquei sabendo do mandado de prisão uns 15 ou 20 dias antes ao renovar minha habilitação. Desde então, minha vida virou um verdadeiro inferno, um pesadelo. Procurei um advogado para ver o que estava acontecendo. Não havia processo em meu nome. Nunca matei ninguém e não sabia o que era”, disse Isabel. Mesmo inocente, em 23 de março de 2007, Isabel Cristina foi presa durante uma megaoperação. A Polícia Civil de Franca justifica que apenas cumpriu a lei ao efetuar a prisão. A sapateira ficou trancada atrás das grades em uma das celas da cadeia feminina de Batatais por quatro dias. Os advogados da sapateira conseguiram provar sua inocência e o juiz Rogério de Toledo Pierri, da 2ª Vara do Júri do Foro Regional I, de Santana, expediu o alvará mandando colocá-la em liberdade. Um ano e quatro meses após o erro, as autoridades ainda não apresentaram uma explicação plausível para a situação. No mandado de soltura, consta apenas que Isabel teria dois RGs, o que poderia ter gerado o equívoco. Ela nega. No processo, o Estado não conseguiu comprovar a existência dos dois documentos. Isabel não aparece no processo que se refere a Dorival Sant’ana, autor do homicídio. “Acredito que houve uma seqüência de erros, mas, para nós, não interessa individualizar. A culpa foi do Estado, que responde pelo mau serviço de seus prepostos. Já ingressamos com recurso de apelação ao valor estipulado pela justiça”, comenta o assistente de defesa Adauto Casanova.

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