Franca deve ficar sem água até quinta-feira


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TRABALHO ÁRDUO - Homem solda tubulação no Sítio São Paulo, onde houve rompimento no sistema de captação de água
TRABALHO ÁRDUO - Homem solda tubulação no Sítio São Paulo, onde houve rompimento no sistema de captação de água
Duas semanas depois da po-pulação ser pega de surpresa, Franca volta hoje a ter ameaçado cerca de 80% do fornecimento de água. Uma operação de manutenção na tubulação da capitação do Rio Canoas e sua possível troca podem fazer com que o abastecimento só volte ao normal na quinta-feira. A falta de água já causou muito descontentamento e indignação na população, mas poucos sabem a verdadeira maratona travada no Sítio São Paulo, onde fica a tubulação, para tentar resolver o problema o mais rápido possível. A-proximadamente 30 homens revezam turno há quinze dias para tentar concluir as obras e fazer com que a cidade volte à normalidade. De dia, sol quente, muita poeira e barro e um frio insuportável à noite. “Estamos fazendo uma escala de revezamento. Um pessoal entra às seis horas da manhã e sai só às 18 horas, quando um outro grupo entra e fica até as seis da manhã”, disse o técnico em manutenção Fernando Almeida da Silva, que precisou jogar fora uma troca de roupa pela situação em que ela ficou durante o serviço. “Na quinta-feira de manhã, tivemos que entrar na vala e apertar o anel que não foi vedado. Saímos todos sujos, cheios de barro. Não tinha como eu dar para minha esposa lavar”. Ao falar da mulher, Fernando cita a filha de dois meses que pouco vê por causa das obras. Para se acomodar no pouco tempo que os funcionários da Sabesp e das empresas terceirizadas têm de descanso, a sombra formada por uma pequena mata ao lado de onde as máquinas estão trabalhando serve de cozinha, quarto e até mesmo banheiro. Uma fogueira ajuda os trabalhadores que à noite ficam na obra, monitorando os encanamentos ao lado da gelada água que tentam drenar. Junto ao trabalho, a paciência para ouvir as reclamações e até mesmo desaforos dos atingidos pelo incidente. “Tem muita piadinha, né, mas as coisas não são do jeito que as pessoas estão pensando. Nós estamos nos esforçando. Quem estiver criticando poderia vir aqui ver o que estamos fazendo. Não tem nada de bom. É só frio e muito barro”, disse o operador de escavadeira Valdeci Teixeira Alves, conhecido como Silas. O operador de escavadeira disse ter trabalhado dois dias e duas noites seguidas para tentar agilizar os serviços. Silas também comenta a dificuldade de ficar longe da família. Segundo ele, sua mulher acabou de passar por uma operação de varizes e se queixa de não poder lhe dar atenção. “Minha mulher fez uma cirurgia. Tive que entregar na mão de Deus porque ela, além de estar em recuperação, estava preocupada. Ela até queria vir aqui ver, mas como não tem jeito, está lá, preocupada”. A dura rotina, se tudo correr bem, deve terminar amanhã, mas um novo projeto de troca da tubulação já está previsto para daqui a 180 dias, o que significa mais trabalho para a turma.

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