Corpo de Marcela é sepultado em Patrocínio


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FORÇA - Sem derramar uma lágrima, Cacilda Galante Ferreira, mãe de Marcela, recebeu várias pessoas durante o velório da filha, sempre ao lado da família
FORÇA - Sem derramar uma lágrima, Cacilda Galante Ferreira, mãe de Marcela, recebeu várias pessoas durante o velório da filha, sempre ao lado da família
Não parecia um velório. As horas que antecederam o enterro de Marcela de Jesus Galante Ferreira, a menina anencéfala de Patrocínio Paulista que desafiou a ciência e morreu depois de 20 meses, foram marcadas pela admiração das pessoas à família da criança e principalmente à mãe, Cacilda Galante Ferreira. As lágrimas eram raras e as conversas se resumiam a como a criança teria conseguido sobreviver tanto tempo. O velório foi até as 17h30, quando o corpo de Marcela foi levado ao cemitério municipal e sepultado. Por volta das 9 horas, o corpo da menina chegou ao salão Santo Agostinho, próximo à Igreja Nossa Senhora do Patrocínio, para ser velada. Pela manhã, não houve muitas visitas, talvez pelo fato de a morte ter sido de madrugada e a notícia não ter se espalhado. O movimento aumentou às 12 horas, quando no salão já estavam 20 pessoas. Às 14 horas, praticamente todas as cadeiras estavam ocupadas e cerca de 70 pessoas davam pesares aos familiares. O caixão branco de 60 centímetros estava rodeado de coroas de flores brancas e amarelas. Marcela vestia uma camiseta branca com a estampa de Nossa Senhora Aparecida que, segundo a mãe, representa a fé que nunca foi perdida. “Ela nos ajudou muito, não podia faltar neste momento”. O terço que sempre acompanhou a criança estava preso entre os dedos da mão direita. Tranqüila, Cacilda não perdeu o sorriso característico. Do lado de fora do salão, a mãe estava com o coração em paz. “Eu cumpri minha missão. Eu fiz uma promessa a Deus e criei Marcela com todo amor e carinho”. Ao contrário do que se costuma ver em velórios, não era Cacilda a consolada, mas, sim, ela que consolava pessoas que se emocionavam. “Eu estava preparada, sabia que ia acontecer um dia. Eu faria tudo de novo e por quanto tempo precisasse”, disse, pedindo licença para ficar um pouco mais com sua “gorduchinha”, como costumava chamar a filha. A dona de casa Maria Aparecida Faleiros acompanhou a vida de Marcela, esteve em seu aniversário de 1 ano e marcou presença no velório. “Essa menina ter chegado a fazer 1 ano foi uma bênção. No seu aniversário, rezamos bastante, agradecendo a Deus”. A aposentada Maria Adelina Suaninha, madrinha de casamento de Cacilda, disse que o convívio com a criança foi emocionante. “Ela movimentava os bracinhos, dava gritinhos para a gente saber que ela estava feliz”. [FOTO2] O caminho para o cemitério foi lento e durou cerca de uma hora e meia. Embaladas por cantos religiosos, mais de 70 pessoas acompanharam os familiares na despedida a Marcela. Na chegada ao cemitério, muitas pessoas não conseguiram conter a emoção e choraram. Uma das irmãs da criança passou mal e precisou ser amparada, mas não houve necessidade de médico. O último adeus foi às 18h35, quando o caixão foi fechado. Marcela foi sepultada num jazigo que fica na parte superior do cemitério. Segundo alguns familiares, ainda não se sabe o horário que será celebrada a missa de sétimo dia.

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