Dezesseis meses depois de anunciada, a construção da Capela de Frei Galvão ainda não saiu do papel. Os fiéis não conseguem os recursos necessários para tocar a obra e, sem alternativa, se reúnem todos os sábados, à noite, para celebrar a fé em um espaço provisório, no Jardim Pulicano, onde cabem, no máximo, 200 pessoas, quase todas moradoras no bairro popular.
O local é um pequeno salão adaptado para as celebrações e as reuniões da comunidade. “É um salão muito simples de blocos de cimento e telha de amianto e foi feito porque a comunidade estava sem um lugar para celebrar”, disse Antônio Carlos Marchioni, o Frei Carlos, um dos quatro padres que se revezam no comando das celebrações. Com a construção provisória, a comunidade de Frei Galvão passou a ser a 10ª da Paróquia de São Judas.
Antes do salão improvisado, os fiéis se reuniam a cada sábado numa casa diferente. Depois, as orações passaram a ser realizadas em uma garagem emprestada, mas o local não comportava mais que 80 pessoas e teve que ser substituído, por causa do crescimento do número de devotos. Foi quando o salão improvisado começou a ser erguido.
Além de contar com uma imagem dentro do salão, o primeiro santo brasileiro é lembrado a todo momento na comunidade que leva o seu nome.”Nós divulgamos a devoção através de panfletos e santinhos e nas reuniões”, disse o pároco, que ainda considera pequeno o número de devotos do santo que comparecem às celebrações. “Sempre recebemos visitas, mas acho que o pessoal nem está sabendo ainda que a gente está funcionando lá”, afirmou Frei Carlos.
Para angariar fundos para a obra da capela definitiva, orçada em R$ 700 mil, os fiéis realizam pequenas promoções, como festas juninas e quermesses, e vendem artigos confeccionados por eles mesmos. “Estamos constantemente fazendo promoções, mas contamos principalmente com o dízimo da comunidade que é pobre”, disse o coordenador da Comunidade de Santo Antônio de Sant’ana Galvão, Otamir Aparecido da Silva.
Como estratégia para vencer as dificuldades financeiras, os devotos dividiram a obra em partes e buscam doações de material de construção, como pedra, areia e tijolos. “Juntando as doações com as promoções, a gente vai construindo, mas como os recursos são poucos, não temos prazo para terminar”, disse.
Frei Carlos disse que a escassez de recursos não permite prever sequer o início da construção da capela definitiva. “O bairro é pequeno e construção sempre é uma coisa muito difícil, principalmente para a população mais pobre”.
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