Jesus sacia a nossa fome


| Tempo de leitura: 5 min
Neste domingo, o Senhor revela sua compaixão para conosco e nos alimenta com o pão da partilha solidária. As leituras que serão proclamadas na missa são: Isaías 55; Romanos 8; Mateus 14. No trecho tirado da primeira leitura, a salvação futura, o período de plena felicidade é comparado a um banquete no qual haverá abundância de todos os alimentos e de todas as bebidas. Para participar não será necessário gastar dinheiro, será suficiente ter fome e sede. O profeta observa que o povo, mesmo sendo escravo, não quer ser esforçar para melhorar a vida, prefere ficar do jeito que se encontra. A eles, o profeta diz: a vida no exílio não é uma verdadeira vida e os que estão empregando o próprio dinheiro para fixar-se definitivamente numa terra estranha “estão gastando dinheiro por aquilo que não sacia”. As palavras desta leitura não se referem somente à fome e à sede de bens materiais. Referem-se à fome e à sede de felicidade, de justiça, de fraternidade, de amor e de paz. Infelizmente nem sempre procuramos a resposta para estas ansiedades, onde realmente podemos nos saciar. Somente quando temos a coragem de abandonar a situação de escravidão, na qual vivemos, assumindo os desafios, é que nos encontramos com o banquete do Reino. Esta leitura é um convite a todos os exilados a tomarem parte da abundância dos bens da nova aliança, convertendo-se a Deus, enquanto é tempo. A segunda leitura é da carta de Paulo aos Romanos. O apóstolo, com sabedoria, relata algo que todos nós experimentamos: quando na vida tudo corre bem, pode-se cair na tentação de dispensar Deus, porque já temos tudo que desejamos. Por outro lado, as contrariedades, os trabalhos penosos, os contratempos, as desventuras que nos levam ao desânimo também tentam nos separar do amor de Deus e de Cristo. São Paulo apresenta sete dificuldades: a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada. São Paulo experimentou na própria carne todas essas contrariedades. A todos os cristãos cabe enfrentar momentos difíceis na vida. Esta leitura é de muita atualidade para nós. Por causa das dificuldades da situação social, econômica e política, na qual vivem muitos dentre nós, sempre temos o desejo de escolher uma vida contrária aos princípios do evangelho. São Paulo ensina que “nada nos pode separar do amor de Deus e de Cristo”. No evangelho, São Mateus apresenta Jesus como o novo Moisés, o profeta que todos esperavam e começa apresentando Jesus que entra no deserto, seguido por uma imensa multidão de pessoas. A vida no deserto serviu para educar Israel. Lá, privado de qualquer segurança humana, este povo aprendeu a confiar somente em Deus. Jesus conduz os seus seguidores ao deserto. Eles também devem passar pela experiência da completa pobreza e dependência de Deus, devem compreender que não possuem em si mesmos a capacidade de conseguir a salvação e devem aprender a abrir-se à plena confiança em Deus e no novo Moisés que é Cristo. Ao ver a multidão, Jesus “teve compaixão e curou os que estavam doentes”. Ele acolhe, liberta e defende a vida. Devolve a esperança e a vida às multidões. Chega o fim da tarde, o povo não tem para onde ir e nem o que comer. Os discípulos percebem o drama e pedem a Jesus que despeça a multidão. Jesus toma a defesa do povo e ordena aos discípulos que lhes dêem de comer. Tal ordem se torna um desafio para os discípulos. Eles possuem pouco: cinco pães e dois peixes. O pouco e o insignificante desconcertam quem sonha com a abundância para dominar. Jesus não rejeita este pouco. Jesus reconhece que os alimentos são dons de Deus para serem generosamente partilhados, expressando a generosidade divina. Abençoado, o pão transforma-se em gesto de partilha e de fraternidade. A gratuidade vem de Deus, por Jesus, e se prolonga na ação de partilha dos discípulos, que põem tudo à disposição de todos. Todos comeram, ficaram satisfeitos e ainda sobrou... O amor traduzido em gestos de partilha solidária é garantia da abundância capaz de superar as desigualdades de uma sociedade que se sacia nos banquetes que criam separação e distância entre pobres e ricos. No mundo há milhões de pessoas que, ainda hoje, não têm acesso à comida e à bebida. A fome de tantos milhões de pessoas é sinal de que o projeto de Deus não é respeitado e de que seu Reino ainda não se completou. FOME NO MUNDO Entre os seis bilhões de habitantes da Terra, existem, pelo menos, 800 milhões de famintos. Só no Brasil, 36 milhões estão excluídos dos bens essenciais à vida. Em toda a América Latina, morrem de fome, a cada ano, milhões de crianças e adolescentes. No Brasil, múltiplas iniciativas buscam acabar com a fome. Ainda assim, a realidade da fome e da pobreza é gritante. A Igreja, com sua Pastoral Social, tem contribuído, ajudando pessoas excluídas nas diversas esferas do nosso povo. ABENÇOADAS INICIATIVAS O governo busca ajudar as pessoas necessitadas e não pode parar, devendo avançar sempre mais. Durante o velório da Sra. Ruth Cardoso e nos dias seguintes, o assunto que rondava a despedida era justamente sobre as iniciativas que a nobre dama realizou enquanto seu marido foi presidente da República. Suas atitudes vieram de uma palavra que se tornou seu ideal: solidariedade. Daí nasceram diversos projetos que se concretizaram em favor dos mais humildes. Vejamos os trabalhos das ONGs, da Cáritas Brasileira, das CEBs, das pastorais. O mais belo é saber que estas iniciativas têm realizado verdadeiros milagres e muitas pessoas estão sobrevivendo. É nossa missão aliviar a dor! CESTAS BÁSICAS Nos últimos dias este Comércio noticiou sobre a dificuldade das Igrejas de ajudar com cestas básicas. Os preços altos dos alimentos contribuem. Vai um apelo: não é preciso doar a cesta toda, mas o pouco que eu tenho unido ao pouco do outro se torna o “todo” necessário. É nossa missão aliviar a dor!!! José Geraldo Segantin Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários