A Calçados Samello ganhou, ontem, prazo de oito meses para liqüidar cerca de R$ 6 milhões de dívidas trabalhistas. Os débitos, de acordo com o estipulado no plano de recuperação judicial, deveriam ser quitados até 31 de julho, mas a empresa alegou falta de dinheiro e pediu aos trabalhadores que esperassem um pouco mais. A decisão não foi unânime entre os mais de 600 funcionários que lotaram o salão do Sindicato dos Servidores Públicos, mas prevaleceu o voto da maioria. Agora, cabe à Justiça acatar ou não a decisão dos trabalhadores.
A empresa propôs aos ex-funcionários pagar R$ 2 milhões, cerca de 28% da dívida, em dois meses - 30 e 60 dias. O recurso é resultado da venda de um terreno próximo ao Castelinho. Já o restante dos créditos será pago em até oito meses, a partir de 2 de agosto. Como garantia, a Samello disponibilizou um prédio na área central e uma fazenda em Uberaba (MG). Se não conseguir aporte de recursos no prazo estipulado, os imóveis poderão ir a leilão. O valor dos bens não foi revelado.
O acordo é válido para os funcionários que entraram com processos no Sindicato dos Sapateiros e para aqueles que não têm representantes judiciais, que somam pouco mais de 700. Já os funcionários que ingressaram na Justiça por meio de advogados particulares terão que negociar direto com a empresa.
Apesar de irritados, os trabalhadores disseram não ter outra alternativa. “Pelo menos temos uma esperança de receber. Se a empresa fecha, será mais complicado. Vamos receber em dez, quinze anos”, disse Joaquim Fernando, ex-funcionário que votou sim à proposta.
Para outros, ainda há incerteza se os pagamentos realmente vão sair. “Esperamos dois anos e não virou nada”, disse Ildebrando Castro.
AGORA É COM A JUSTIÇA
O promotor Carlos Henrique Gasparoto disse que a lei de recuperação judicial não prevê novos prazos quando a empresa descumpre qualquer uma das etapas, mas disse que, havendo acordo entre as partes, a Justiça poderá aceitar. “Quando o prazo estipulado no plano não é cumprido, a conseqüência é a falência, mas há sempre o bom senso de analisar a situação. Ninguém quer fechar uma empresa”, disse.
O presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, foi procurado para repercutir o assunto, mas o telefone celular estava desligado.
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