Vinte e oito de julho, Franca, São Paulo, Brasil. Quatro horas da manhã. Acordo com um barulho estranho. Água! Saindo de um lugar inusitado: da torneira!
Devo estar sonhando. Viro para o canto e novo barulho! Por incrível que pareça, está saindo água também do chuveiro! Levanto e me certifico que tanto a torneira da pia do meu banheiro como o chuveiro do banheiro do Jorginho estão abertos e jorrando, juntamente com algumas teias de aranha, aquele precioso e desaparecido líquido.
Dormir de novo? Nem pensar! A Graziela só vai chegar às 8 da manhã, e quem me garante que até lá aquela coisa maravilhosa vai continuar saindo da torneira? Faço café, bebo e vou para o tanque. Roupa do Leonardo que chegou depois de duas semanas na Argentina, roupa da Patrícia depois de dez dias no Rio Grande do Sul, roupa minha depois de uma semana na praia, sem falar das do Jorge e Jorginho que ficaram em Franca. Vou para o tanque cantarolando: “lava roupa todo dia, que alegria...”.
Há muito tempo não via o sol nascer. Naquele dia, graças à Sabesp, eu vi. Fazia exatamente oito dias ininterruptos que meu bairro estava sem água! Última semana de férias, os filhos em casa, festa de aniversário de sobrinha neta programada para sábado e sem água!
Não cancelei nada, a SABESP não conseguiria mudar meus planos, apesar de ter conseguido como ninguém mudar meu humor. E agora vem a notícia de que vai faltar água novamente no final de semana! O que será que corre nas veias dos brasileiros em geral e particularmente nas dos francanos? Água eu sei que não é.
Silvana Bombicino Damian
Empresária
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