O PT (Partido dos Trabalhadores) não quer que a rádio Hertz, do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), seja a responsável por gerar o programa eleitoral gratuito em Franca. Os advogados da coligação “A Vontade do Povo”, liderada pelos petistas, entraram ontem com um requerimento na Justiça Eleitoral para anular o sorteio realizado na última quinta-feira. Na ocasião, a emissora do tucano foi escolhida para receber as gravações de todos os candidatos e gerar os programas que serão retransmitidos pelas rádios da cidade a partir do dia 19 de outubro. O objetivo da coligação é evitar que Rocha, candidato à reeleição, tenha acesso ao conteúdo dos programas de seus adversários antes que eles sejam veiculados.
Representantes de todas as emissoras da cidade (Imperador, Difusora, Hertz AM, Hertz FM, Universidade, Três Colinas e União) participaram da reunião realizada na 291ª Zona Eleitoral com o juiz Vagner Carvalho Lima e com o promotor Décio Piola para definir qual seria a responsável pela geração dos programas. A rádio Hertz foi sorteada. José Eduardo David e Luiz Carlos Vergara, presidentes do PT e do PPS, respectivamente, protestaram.
“Os programas vão ser entregues na emissora às 22 horas de um dia e só vão ao ar às 7 horas do outro. Não que a gente esteja acusando, mas ficamos ressabiados e desconfiados de esse programa ficar lá tanto tempo”, disse David.
O juiz não se sensibilizou. “Essa escolha foi feita por sorteio na presença de todos os partidos, de todos os candidatos. Eu acredito que não deve haver nenhum problema. Se houver algum abuso, será apurado e resolvido normalmente”, disse, ao negar o pedido de anulação, feito pelos petistas no dia do sorteio.
O diretor-artístico da rádio Hertz, Marcos Rogério Afonso, garantiu que o sorteio não é um privilégio e até “agradeceu” a iniciativa petista de tentar novamente na Justiça anular o resultado. “Acho que farão um favor para nós (se for escolhida outra rádio), porque isso (a geração dos programas) dá muito trabalho e é uma responsabilidade grande. Não tenho problemas com transparência, credibilidade e estrutura técnica. Mas será um favor para mim não gerar”, disse.
Responsável pela geração do sinal nas eleições de 2004, Jacqueline Galgani Parisi, da rádio Imperador, diz que a experiência não foi agradável. “É como uma batata quente, que ninguém quer pegar. Só dá problemas, pois temos que pagar horas extras para funcionários, advogados e ficar 24 horas à disposição”, disse.
SOBRE O SORTEIO
Nas cidades com mais de uma emissora - caso de Franca, onde há sete (três AMs e quatro FMs) - a definição da responsável por gerar os programas políticos é feita por sorteio. A sorteada é obrigada por lei a receber o material pronto das coligações, colocá-lo na seqüência definida pela Justiça Eleitoral e gerar o sinal. As demais emissoras apenas o retransmitem por cadeia (leia mais nos apoios).
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