Há pessoas que vivem em seu mundinho. Pequenininho. Começa aqui e termina ali. Sem problemas. Sem ousadias. Sem desafios. Não há porque buscar espaços outros além do limite imaginário do perímetro considerado seguro. São muitos, quase a maioria. Marionetes...
E há os outros, os que manipulam os cordames. Dentre estes, dois perfis: os que apenas indicam os movimentos e rumos, permitindo que o conduzido tente pensar com a própria cabeça; e os outros, a quem realmente não interessa que seus conduzidos tenham qualquer iniciativa.
O universo político é o cenário ideal onde estes conceitos impactam. As eleições de 5 de outubro batem à porta e não há porque, como diz Alexandre Leonel, colunista das quintas-feiras, “razão para perder a piada”. Mesmo que infame. Mesmo que preocupante.
Cresce, a cada eleição, o número dos que se julgam em condições de serem eleitos. Não há, a rigor, nenhum que julgue baixas suas possibilidades de chegada. O “excelente salário para pouco trabalho”, garantem todos, não é a principal motivação...
Para não correr o risco de esquecer o que é, de verdade, prestação de serviço público desapegado, tenho conversado nos últimos dias com cidadãos de outras épocas, eleitos em época em que não se recebia nada. A única paga era o saber-se merecedor do “reconhecimento público”.
Estabelecido o meu parâmetro cidadão, lanço-me à observação. Releio matérias que este Comércio publicou nos últimos oito anos sobre o “custo-benefício” de vereadores e prefeitos para com suas respectivas cidades e, cúmulo dos cúmulos, não me espanto frente a estatísticas muito ruins: a maioria fica devendo a seus eleitores.
Não me espanto porque os fenômenos que aqui acontecem, acontecem também lá e acolá. Entro mais fundo: vários se elegem a partir de votação orquestrada por grupos que precisam defender seus próprios interesses. Outros conquistam cargos porque são muito conhecidos; e não por competência. Alguns, porque se tornaram políticos profissionais, fizeram lastros populistas – atendendo mazelas de pessoas comuns que agradecidas para sempre, tornam-se fiéis eleitores, “com toda a família”, como dizem – e se locupletam indefinidamente como extensão dos cordames que manipulam.
Não há também como deixar de lembrar daqueles que continuam ganhando eleições porque há e sempre haverá gente que trocará o voto, única ferramenta que o brasileiro – este cidadão bom mas de memória curta – tem para modificar a pior doença da qual este País sofre: a “política do político, para o político, pelo político”. Viu? Marionetes que continuam pensando com a cabeça de terceiros.
Lembro-me dos “tapolhos” com que os carroceiros (ainda os há por aí e este e um tema que abordo dia destes) garantiam a que o cavalo andasse sempre em linha reta. Sem o instrumento – duas peças de couro alocadas nos olhos do animal, tornando-os incapazes de praticarem visão lateral – o animal se assusta e pode criar situações difíceis de controlar. Tipo “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Isso quer dizer que, se você alargar a visão, ampliará também o domínio de mundo do bicho, ou do homem.
Cabe àquele que não pretende que você tenha alargada sua visão, impor-lhe o “tapolho”, que pode vir na forma de caminhões de terra, cestas básicas, camisetas, canetinhas, dentaduras, rapaduras, promessas, pequenos favores. Algo institucionalizado a partir de 1500, quando os colonizadores portugueses trocavam com os índios brasileiros, espelhos e quinquilharias, por ouro e miscigenação.
Está certa a campanha que o Tribunal Superior Eleitoral colocou no ar: “as principais decisões dos próximos quatro anos de seus filhos, de sua vida, de seus sonhos você colocará nas urnas no dia das eleições”. Olho vivo, de olhar abrangente. Grite que você quer ser diferente. Lance os “tapolhos” ao lixo.
ALARGANDO A VISÃO
Este Comércio e a Rádio Difusora iniciam hoje, às 7h30, o projeto “Sabatinas”, com os candidatos a prefeito de Claraval (MG) respondendo a perguntas de jornalistas e radialistas do Grupo Corrêa Neves de Comunicação. O evento abre projeto inédito de cobertura jornalística efetiva às eleições em 15 cidades – Claraval, Cássia e Ibiraci (MG); Franca, Cristais Paulista, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Jeriquara, Rifaina, Ribeirão Corrente, São Joaquim da Barra, São José da Bela Vista, Itirapuã e Batatais (SP), com equipe de profissionais totalmente dedicada à função.
FOCANDO O ELEITOR
O projeto quer proporcionar aos eleitores da região de Franca, via Rádio Difusora AM, jornal Comércio da Franca, cadernos especiais e transmissões ao vivo, pela internet, na ocasião de “Sabatinas” e “Debates”, contato direto com os candidatos a prefeito e vice. Essa é a fórmula mais moderna e rápida de alcançar consciência crítica adequada sobre o que move cada uma das candidaturas.
O QUE VEM POR AÍ
Além das “Sabatinas”, também acontecerão “Debates”. Candidatos a prefeito em Patrocínio Paulista, Pedregulho, Cristais e Restinga se apresentarão nos dias 10/08, 24/08, 07/09 e 21/09. Os de Franca se envolverão em dois momentos, um, em parceria do Grupo Corrêa Neves com a TV Record em 14 de setembro e outro, na Rádio Difusora, dia 02 de outubro, três dias antes das eleições. Excelentes oportunidades para não ter dúvidas quaisquer no dia de enfrentar a urna eletrônica.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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