A diversidade é uma das coisas mais empolgantes que há no mundo. Pessoas, animais, flores... cada um com sua peculiaridade. Tudo o que há no planeta é único e cada coisa tem sua “impressão digital”. Somos todos parte de um sistema diverso em que nada se repete. Poder nos encantar diariamente com as possibilidades da vida é algo precioso. Branca como uma boneca de porcelana, a peculiaridade que Andréa Aparecida Silva tem é exatamente a cor. Ou melhor, a falta dela. A moça de 27 anos é albina. E é isso o que a diferencia no mundo.
Os pais dela não são albinos, a mãe é ruiva e o pai é pardo, assim como o irmão. O único caso anterior de albinismo na família foi há quatro gerações, com a bisavó de seu pai. O filho de três anos, Henrique Silva Teixeira, também não nasceu com a doença. “Quando um dos pais é albino existe a probabilidade de transmissão de 25% em cada gravidez”, disse a professora doutora em genética, Andréa de Oliveira Cecchi.
Mas, afinal, você sabe o que é esta doença que afeta uma em cada 17 mil pessoas no mundo? A palavra deriva do latim albus (branco) e refere-se à incapacidade do organismo de um indivíduo a fabricar um pigmento denominado melanina (do grego melan, negro), que dá cor à pele e a protege da radiação ultravioleta. Animais e plantas também podem ter esta característica genética, que não tem cura nem tratamento. As pessoas albinas têm a pele levemente rosada, olhos azul-acinzentados ou róseo-claros e cabelos esbranquiçados ou amarelo-claros.
Nos seres humanos a melanina, responsável pela pigmentação, é produzida na camada celular profunda da pele (a derme) e se espalha para as camadas superiores visíveis (a epiderme). Mas para isso acontecer, é preciso a ajuda de uma enzima, a tirosinase. “O que acontece no caso dos albinos é que, por um erro em sua formação genética, eles não possuem o gene que dá a ordem ao organismo para produzir a melanina”, disse o geneticista Décio Altimari, da Santa Casa de São Paulo.
A professora Andréa Cecchi afirma que o albinismo é derivado de um erro genético, que ocorre quando o espermatozóide e o óvulo fecundados têm alelos alterados para a produção de melanina. “Cada seqüência do DNA é chamada de gene e cada gene codifica uma proteína. A mutação no gene que produz a melanina é que causa o albinismo”.
Além da peculiaridade da ausência de pigmentos na pele, os albinos também sofrem de transtornos visuais, como fotofobia (intolerância à luz), movimento involuntário dos olhos, o estrabismo, e, em casos mais severos, podem chegar à cegueira. “Tenho sete graus de astigmatismo desde os dois anos de idade”, conta Andréa Aparecida.
Como os albinos não podem ficar muito expostos ao sol, pois são desprovidos da proteção natural que é a melanina, ela também faz monitoramento no Hospital do Câncer desde criança. “Preciso fazer acompanhamento direto para não correr risco de ter câncer de pele. Não posso sair de casa sem passar protetor com fator máximo. Só caminho na rua antes das 8 da manhã ou depois das 17 horas”, disse.
PRECONCEITO
Na teoria, as diferenças são maravilhosas, mas na prática ter uma característica que diverge da maioria é difícil. Desde pequena, Andréa desperta olhares curiosos por onde passa. “As pessoas têm preconceito, mesmo que velado, contra nós, albinos”, disse. “Os meus colegas de classe tiravam sarro de mim, faziam chacotas”, desabafou.
Se antes ela sofria por causa das implicâncias da criançada, hoje o problema é outro. “Não consigo arrumar emprego fixo há três anos. Sempre que vou fazer uma entrevista de trabalho, escuto uma desculpa esfarrapada para não me contratarem”, disse.
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