Você foi um dos poucos amigos que tive. Você encarnou a fidelidade, foi solidário, espalhou bondade. Você resistiu entre terno, tolerante e indulgente as intempéries impostas pela vida. Você carregou com valentia e sem lamentos muitos fardos pesados em seus caminhos colocados. Você passou, assim como muitos passaram. Você passou, assim como todos haverão de passar.
Todos ao passar, carregam marcas da trajetória no plano terreno encetada. Ao partir para a eternidade, cada um deixa o rolo da fita em que foi protagonista. Os filmes contam histórias de vilões, falsos, mentirosos, ingratos, traidores, capazes em maleficiar a vida.
Algumas películas gravam a historia de mocinhos do bem, leais, prestantes, voluntários, aptos e prontos para servir com grandeza de alma, sempre alvos da inveja dos inferiores. Aos primeiros, são apressados e pródigos os aplausos, que mais tarde, bem ajuizados, são contestados pelo calor e inconsciência de um momento de falácia tentando macular a imagem de um ideário gestor de construção da igualdade entre pessoas.
À harmoniosa história de mocinho do bem, alimentadora da esperança dos valores humanos, engodo se opõe, fazendo tardar entre os homens o reconhecimento das acertadas ações preconizadas pelo amor, pela saúde de um espírito limpo, fraterno, humilde, laboreiro. O reconhecimento pode tardar, no entanto, jamais faltara. Mãe nossa: “A vos suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas, perdoe a quem nos tem ofendido”.
Sua ressurreição para a vida eterna iniciou-se com orações e palavras de fé proferidas por Jandira Faria Prado pelo movimento católico. Ainda diante do ataúde, o pastor presbiteriano Ronaldo Gomes Sathler enalteceu a correção de propósitos de seu contemporâneo de vereança, docilidade de trato, paciente equilíbrio na estruturação do entendimento em temas polêmicos.
Manir Bittar: aí estão as alamedas do grande reino, floridas, profusamente iluminadas, revestidas de paz e justiça, para tributar-lhe as honras do mérito de bem-fazer que você praticou para receber agora o reconhecimento das clarinadas de Hosana. Benedictus e do Sanctus.
Garcia Netto
Jornalista
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