Nos últimos dias, duas notícias ocuparam as páginas do Comércio. Ora a falta d’água na cidade, ora a inclusão de algum candidato na lista suja da Justiça. É evidente que não há nenhuma relação entre os fatos; a concomitância deles, porém, pode ser pedagógica.
No melhor estilo “cada um com seus problemas” encontramos de um lado os sujos e do outro os mal lavados. Para os primeiros, protegidos pelo direito ao contraditório, ao que parece não há água que dê jeito. Para os últimos, surpreendidos pelo caos, a água parece ser o único jeito.
As duas questões surgem num momento ímpar – às vésperas das eleições municipais. Talvez não de propósito, porém nem tão por acaso assim estejamos vivenciando tudo isso, afinal de contas, para muitos dos sujos a vida pública depende necessariamente das condições de sobrevivência dos mal lavados.
A sutileza da tênue relação entre sujos e mal lavados é um fato inexorável, tanto que é preciso parar e refletir com calma sobre sua real existência. Há aqueles que afirmam com segurança ser um mal lavado por conta dos desmandos de muitos dos sujos. Os sujos, por sua vez, preferem determinar que os mal lavados são vítimas de seus próprios desperdícios, não havendo, portanto, a menor relação entre eles.
E assim o debate se desenvolve sem a menor perspectiva de que se possa produzir algo que efetivamente consiga acabar com os sujos e que principalmente garanta aos mal lavados dias melhores. Mesmo assim não devemos fugir do confronto de idéias - somos uma sociedade de sujos e mal lavados e precisamos o mais rápido possível superar tal condição.
O tempo urge para que a sociedade de sujos e de mal lavados evolua à categoria de sociedade moderna, democrática, onde haja apenas cidadãos limpos e com dignidade. Não há mais tempo a perder, o acesso à informação está democratizado e as novas tecnologias parecem ser capazes de produzir soluções pioneiras para problemas históricos.
O que estamos esperando? Que surja um salvador da pátria? Que alguém grite palavras de ordem montado em um cavalo branco? Isso não acontecerá. Os tempos são outros. Os métodos são outros. Precisamos agir por nós mesmos. Ou melhor, precisamos reagir por nós mesmos, por nossos filhos, por nossa história. Não queremos mais ser uma sociedade de sujos e mal lavados. Ou queremos?
Até quando nos permitiremos tomar banho de canequinha? Até quando amparados pelo legítimo direito ao contraditório os sujos terão voz e vez?
Certa vez li que um balde de água pela metade pode ser mais que um balde de água pela metade, afinal de contas ele pode ser também um balde em que metade da água está faltando e talvez seja disso que esteja eu tentando falar desde o início deste texto. Do quanto de água ainda falta para preenchermos o nosso balde; o nosso balde da cidadania, da dignidade, do senso de responsabilidade individual e coletiva.
Não há mais como fugir de tudo isso, somos parte desse todo, e como parte temos responsabilidades sobre o todo, agora só nos resta escolher se queremos acabar de nos sujarmos ou acabar de nos lavarmos.
‘DELIRIUS POLITICUS’
Nas ruas o assunto eleições vai tomando corpo, a cada dia que passa mais e mais pessoas se arriscam na arte do ‘derilius politicus’, ouve-se de tudo e de todos. O curioso é que os especialistas de plantão se arriscam a prever não só as eleições de 2008. A mais nova onda é a especulação sobre quem serão os candidatos em 2012. Entre aqueles que dão como certa a reeleição do atual prefeito surge o nome da atual secretária Valéria Marson como forte candidata a candidata, outros apostam muitas fichas no retorno do ex-prefeito petista ao certame de 2012.
FICOU BOM! PODE MELHORAR!
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) - agiu corretamente e suspendeu a comercialização de um determinado medicamento com suspeitas de risco à saúde dos usuários. Ficou bom, mas pode melhorar se no Brasil passarmos a avaliar com mais critério o registro de determinados medicamentos que, muitas vezes não são permitidos em países da Europa e América do Norte.
TÁ RUIM? PODE PIORAR
A última reunião do Conselho Monetário Nacional terminou com uma decisão difícil de engolir. O aumento de 0,75% na taxa básica de juros gerou protestos generalizados, principalmente dos setores de produção, atacado e varejo. Pior que o aumento determinado pela ata da reunião é a perspectiva de que aumento de juros parece ser o método de controle inflacionário preferido pelo governo, o que significa que a qualquer momento novos aumentos na taxa de juros podem engessar ainda mais o crescimento dos setores produtivos.
PRA NÃO PERDER A PIADA
Vem aí o mais novo lançamento de preservativos com as opções para casados e para solteiros. Na versão “solteiros” caixa com 7 unidades; na versão “casados” caixa com 12 unidades. Para os solteiros uma para cada dia da semana; para os casados, uma para cada mês do ano.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
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