Ex-funcionários protestam e pedem falência da Samello


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FIM DE PRAZO - Funcionários colocam faixas no alambrado da Calçados Samello, ontem. Empresa não pagou e não deu uma resposta oficial aos trabalhadores
FIM DE PRAZO - Funcionários colocam faixas no alambrado da Calçados Samello, ontem. Empresa não pagou e não deu uma resposta oficial aos trabalhadores
Ex-funcionários da Calçados Samello promoveram, ontem, manifestação na porta da empresa. Eles querem respostas da direção da empresa sobre o pagamento das rescisões contratuais que, pelo plano de recuperação judicial, deveria ter sido efetuado até as 18 horas de ontem. Não foi. Irritados, os trabalhadores colocaram faixas no alambrado, levantaram cartazes e fizeram muito barulho com cornetas, sirenes e apitos. Alguns, mais ousados, colocaram nariz de palhaço. O movimento reuniu cerca de 150 pessoas, que pediam a falência da empresa. Eram 17 horas quando os funcionários se aglomeraram na porta do pavilhão onde por muitos anos funcionou a fábrica Samello. Diretores e empregados, que ainda trabalham no prédio, já haviam deixado o local. A loja de varejo, que fica em frente e normalmente funciona até as 18 horas, também estava fechada. Na portaria, apenas o segurança. Mesmo assim, os manifestantes não desistiram. Permaneceram no local por uma hora, mas não adiantou. Ninguém da direção compareceu. A Samello deve aproximadamente R$ 6 milhões a 1,6 mil funcionários. Desses, 600 são da filial de Santa Rita (PB). Na semana passada, a empresa convocou o Sindicato dos Sapateiros e propôs que ele pedisse aos trabalhadores um prazo maior para o pagamento da dívida. A proposta será apresentada em assembléia marcada para sábado, 2, às 8h30. Mas os funcionários já anteciparam a resposta. Nos cartazes expostos, ontem, a palavra de ordem era o pedido de falência. “Não vamos esperar mais. Ou eles nos pagam ou fecham. Ninguém vai continuar com a marca Samello”, disse Gisele Tavares. Wagner Lopes Azevedo trabalhou por quatro anos na empresa, espera pelo pagamento de R$ 7 mil, e também não quer acordo. “Eles tiveram dois anos para pagar e agora nós vamos dar mais tempo? Isso é uma maneira de querer nos tapear um pouco mais”, disse Lopes. Da cidade de Santa Rita, na Paraíba, esteve presente o diretor sindical Odair Monteiro. Segundo ele, os funcionários de lá também estão revoltados. “A situação é mesma. Todos querem receber. Fizeram planos para o dinheiro. Viemos em busca de uma resposta”, disse o sindicalista. [FOTO2] O PRAZO A empresa, beneficiada com a lei de recuperação judicial, deve cumprir prazos de pagamento que ela mesma apresentou à Justiça. Se descumpre qualquer um dos prazos e não entra em acordo com os credores, terá a falência decretada. Com isso, os bens da empresa podem ser vendidos para o pagamento dos credores e a marca deixa de existir no mercado. No caso da Samello, o prazo para pagar os funcionários venceu ontem. Já o prazo para que ela salde as dívidas com fornecedores e bancos (cerca de R$ 60 milhões) é de até 9 anos. Miguel Sábio de Mello Neto, diretor da Samello, não atendeu a reportagem. A secretária, que se identificou como Cidinha, disse que ele estava ocupado. Até o fechamento desta edição ele não havia retornado às ligações.

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