Expulsos pelo progresso


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Os tradicionais vendedores ambulantes desaparecem a cada dia do centro da cidade. Estão sendo gradativamente substituídos pelos sofisticados camelôs. Não são muitas, mas ainda podemos encontrar pessoas que sobrevivem desta atividade. É possível encontrar em alguns bairros de Franca, vez em quando no Centro, garrafeiro, amolador de facas, sorveteiro, o carrinho da pamonha e até verdureiros, que nos fazem recordar o nosso tempo de infância. Antigamente em Franca, com um chifre de boi usado como trombeta o peixeiro anunciava sua chegada. Nesse momento, as pessoas iam para os portões de suas casas aguardando passar a carroça com o pescado fresco. O peixeiro era pescador, pescava à noite e de manhã cedo para abastecer sua clientela mais exigente, por toda a cidade onde pudesse vender seu produto. Desapareceu das nossas ruas, juntamente com o padeiro, leiteiro e tantos outros, com a chegada das modernas peixarias e padarias. Sem falar no caminhão que trazia laranjas, com o vendedor cantando com um megafone de lata: ‘Ô, meu irmão! Chega aqui no caminhão, pra comprar laranja lima, tangerina e limão!’. E o realejo, com seu periquito verde, algumas vezes papagaio, que vendia a sorte para as mocinhas desejosas de encontrar príncipes encantados, lembram-se? Sempre tinha um na praça central de Franca. Não vi mais. Com ele desaparece toda a magia das brincadeiras de rua, das praças, dos tempos em que podíamos passear de mãos dadas e ler a sorte oferecida pelo periquito. Esse homem do realejo, que vendia um pouco de sonho, e tantos outros, faziam de sua profissão a alegria de muita gente. Também conhecido como mascates ou carcamanos, muitos deles compravam garrafas e jornais, vendiam roupas ou vassouras, consertavam panelas, enfim, havia sempre quem fosse à sua porta para vender ou comprar alguma coisa. Um dos mascates mais conhecidos de Franca nos anos 60 foi o Salim, já falecido. Era magro, descendente de sírios. Sempre andava curvado pelas ruas centrais da cidade, por causa do peso que carregava em seu paletó, repleto de bolsos para todos os lados. Em cada um deles, Isqueiros, cigarros importados, perfumes, canivetes, alicates para unhas, baralhos, carteiras de puro couro e até lingerie, pasmem, ele tinha para vender. Nessa época, na Rua do Comércio, nas proximidades do antigo prédio da Rádio Difusora, onde eu trabalhava, sempre passava uma senhora gorda com um tabuleiro pendurado no pescoço, repetindo o mesmo pregão: ‘empadinha de camarão, uns gostam, outros não’! Certo dia resolvi comer uma. Na primeira mordida percebi que não tinha camarão e reclamei. A explicação veio rápida: ‘não coloquei camarão porque uns gostam, outros não’. Fiquei estático, com a empada na mão e a maior cara de tacho. Afinal, ela cumpria o que anunciava. O progresso caminhou mais rápido que a tradição e aos poucos os ambulantes, com suas buzinas, seus slogans gritados ou gravados, vão desaparecendo dos grandes centros. Certamente ficarão na história de Franca e de muitas outras cidades do País. SANTINHO NA MISSA A campanha em Franca deve se intensificar agora, em agosto. E aí, salve-se quem puder. Mesmo assim, me contaram que já tem candidato a vereador que não poupa nem a missa, distribuindo santinho na igreja. Acredite se quiser! PEQUENO CAIO O casal Marlete e Eder promove nesse domingo, a partir das 12 horas, no Buffet Spazzio, almoço beneficente com a finalidade de arrecadar recursos que possibilitem custear atendimento médico ao filho Caio, de apenas três meses de idade, que nasceu com sérios problemas de saúde. O menino esteve internado durante mais de um mês no HC de Ribeirão Preto e o casal não tem dinheiro suficiente para dar continuidade ao seu tratamento. Os convites para esse almoço com a sobremesa da Ana Maria Chagas incluída, custam R$ 20 reais e podem ser reservados na Cia. Francana de Danças, Alameda Arminda Nogueira, 2552, Santa Rita, ou pelo fone 3012-7768. Vamos ajudar... NEGATIVO A população continua insegura com as explicações pouco convincentes da direção da Sabesp em Franca. Falta água em vários bairros e o sistema de captação do Rio Canoas ainda não opera com o máximo de sua capacidade. Centenas de moradores continuam buscando água em minas e bicas e tomando banho de canequinha há 12 dias. Pior: a cidade pode ficar sem água mais uma vez nesse fim de semana, caso a terceira motobomba seja ligada. POSITIVO Pelo menos 550 vagas de emprego podem ser preenchidas nesse mês de agosto em Franca. A Tenny Wee, empresa de calçados garantiu 350 oportunidades e o Tonin Superatacado, que inaugura em setembro, abrirá 200 novos postos. Com a inflação rondando, boas perspectivas para o trabalhador francano nesse que é conhecido em muitas culturas como mês do desgosto. VENDEDOR AMBULANTE Um jovem oferecia um maravilhoso ‘elixir da longa vida’. Gritava com eloqüência: - Todo dia tomo uma colher de elixir e olhem que já vivi 300 anos! Ouvindo isso, os espectadores logo correram às bancas abarrotadas de vidros, onde um garoto atendia a multidão. Foi quando um outro negociante, esperto, resolveu desmascarar a charlatanice. Foi até o garoto e perguntou em voz alta e firme pra todo mundo ouvir: - Que história é essa? O seu patrão já viveu 300 anos? - Não tenho certeza - respondeu o menino. - Só trabalho para ele há 130 anos. Edward de Souza Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br

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