Depois do susto, o alívio. Vinte e quatro horas após ter a casa destruída por um incêndio, a sapateira desempregada Eliete Cristina Garcia, 27, voltou a ser surpreendida. Desta vez, com a generosidade da população francana. Já nas primeiras horas da manhã, a família de Eliete ganhou móveis, alimentos e até uma casa emprestada para morar com o marido e a filha enquanto reforma seu imóvel de quatro cômodos perdido com as chamas.
Na manhã de terça-feira, Eliete acendeu uma vela na sala, rezou a oração do Pai-Nosso e a Ave-Maria e pediu à Nossa Senhora Aparecida que a ajudasse a encontrar um serviço. Foi para a rua entregar currículos e recebeu uma ligação no celular avisando que a casa estava pegando fogo. A vela teria caído e provocado o incêndio.
A revelação da fatalidade pela rádio e pelas páginas no jornal causaram comoção. Mais de dez pessoas de todas as regiões da cidade ligaram para a sede do Comércio da Franca fazendo doações.
Foram oferecidos televisores, geladeira, roupas, liquidificador, utensílios domésticos, duas camas de solteiro, uma cama de casal, estantes, mesas, cadeiras e materiais de construção. Um morador da Vila Monteiro disponibilizou uma casa de cinco cômodos na Rua Afonso Pena para a família ficar até reformar o imóvel destruído pelo incêndio. “Foi uma bênção. Deus fecha uma porta, mas abre dez. Temos sempre que acreditar. Agradeço a todos que estão ajudando, que Deus os abençoe”. Ainda continua faltando o serviço. Na manhã de ontem, foi fazer entrevista na Tenny Wee.
Religiosa, Eliete disse que não perdeu a fé em nenhum momento. Ela acredita que algo de bom está sendo preparado para sua família. “Deus sabe o que faz para a gente. Não cai uma folha de árvore se não for sua intenção”.
A única mágoa aparente é com um perito responsável pela vistoria que teria sugerido ao dono da casa que a processasse por ter provocado o incêndio. “Meu cunhado disse a ele que não precisava, pois somos todos pobres e unidos. Já acabou com minha casa. Ele (o perito) quer mais o quê? Que vou presa?”
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