Eliete Cristina voltou a chorar ontem. Estava emocionada com a solidariedade recebida.
Comércio - Qual é o sentimento ao saber que recebeu muitas doações?
Eliete - Fiquei mais aliviada, né? Eu não sabia o que iria fazer. A gente é pobre. Só o meu marido está trabalhando. Não teria condições de alugar uma casa, de ir para outro lugar. Esta noite, dormi na casa de meu sogro. Hoje (ontem) já ia para casa de minha mãe. Cada dia iria ficar em um lugar até arrumar aqui. Foi uma bênção receber tantas coisas. Deus fecha uma porta, mas abre dez. Temos sempre que acreditar.
Comércio - Você havia acendido a vela para pedir proteção. Ao saber do incêndio, chegou a perder sua fé em algum momento?
Eliete - Não. Eu acendi a vela e fiz a oração do Pai-Nosso e Ave-Maria. Pedi a Nossa Senhora da Aparecida para iluminar, abrir meu caminho para poder arrumar um emprego. Já entreguei currículo em tanta fábrica, mas nenhuma chama. Sou auxiliar de pré-fresado. Trabalhei quase sete anos no HB.
Comércio - O comentário de um policial deixou a senhora chateada. O que ele falou?
Eliete - Foram os peritos. Eles chegaram e mexeram na terra. Perguntaram ao meu sogro se tinha algum dano na casa dele, que faz divisa com a minha. Falaram que poderia ter processo, pois era incêndio criminoso. A gente fica calada e não sabe como reagir. Meu cunhado falou que não precisava, pois aqui a família é unida. Não precisa disto. Se fosse rico e tivesse dinheiro, tudo bem, mas a gente é pobre. Já acabou com minha casa. Ele quer mais o quê? Que vou presa?
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