O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) quer saber qual a cor e a raça de 90 pessoas em Franca e Cristais Paulista. Para isso, o órgão começa, em agosto, nas duas cidades, a PCERP (Pesquisa das Características Étnico-raciais da População). O objetivo é definir quais as categorias de cor e raça das pessoas baseando-se na autodeclaração como forma de identificação.
A pesquisa piloto é inédita no País e servirá como base para definir as opções de escolha no Censo 2010. No total, serão ouvidos 15.110 domicílios de seis unidades da federação (São Paulo, no Sudeste; Rio Grande do Sul, no Sul; Mato Grosso, no Centro-Oeste; Paraíba, no Nordeste, e mais o Distrito Federal).
As cidades e domicílios a serem pesquisados foram selecionados por um banco de dados da Central do IBGE no Rio de Janeiro. Na região, os pesquisadores atuarão em nove setores, oito em Franca e um em Cristais Paulista. Em cada setor, serão visitadas dez casas onde apenas um morador fará parte da entrevista. No município de Franca, os bairros escolhidos foram Jardim Pinheiros e Pinheiros II, Parque Vicente Leporace II e III, City Petrópolis, Vila Santa Luzia, Vila Nossa Senhora de Fátima, Vila Santos Dumont, Residencial São Domingos, Vila Chico Júlio e Cidade Nova.
Eurico Campos, técnico em Informações Geográficas e Estatísticas e um dos pesquisadores, disse que a pessoa escolhida para responder aos questionários será livre para responder o que quiser quando questionada sobre sua cor e raça. “Ela falará como se vê e também responderá como é vista pelas outras pessoas e se sua cor influencia sua vida”.
Na pesquisa, o IBGE também fará as perguntas tradicionais como sexo, religião, trabalho, escolaridade, renda e listará todas as pessoas da casa. Qualquer membro da residência visitada poderá responder ao questionário desde que tenha mais de 15 anos. A seleção do morador será feita antecipadamente pelo pesquisador por meio de um sistema de etiquetas. “Entre os quesitos novos da pesquisa, o entrevistado também responderá por quais critérios as pessoas definem sua cor ou raça e os que ela própria utiliza”, explicou Campos.
Outro diferencial da pesquisa será a participação do pesquisador como fonte. Ao final da entrevista, ele também responderá sobre sua própria cor ou raça e a do entrevistado em sua opinião. Neste caso, o entrevistador representará a visão de uma pessoa da sociedade e não a da instituição de forma oficial. “É uma metodologia diferente que será testada, não tem intenção inicial de retratar o Brasil como um todo porque ainda são poucos setores na esfera nacional”, disse o técnico do IBGE. Além dele, haverá mais um pesquisador para a região, no caso uma mulher.
A pesquisa deverá durar um mês e será aplicada em questionários de papel, ao contrário da maioria dos levantamentos em que é utilizado o palmtop. Os questionários para as entrevistas já chegaram e os pesquisadores estão treinados. O início das visitas depende do envio das casas selecionadas pelo IBGE para a pesquisa.
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