Ora chorando, ora tentando consolar a filha, Eliete Cristina olhava desolada para a casa queimada. Desesperada, falou sobre o drama que estava vivendo.
Comércio - O que foi que aconteceu?
Eliete - Eu saí cedo para caçar (sic) serviço e larguei minha menina na casa da minha mãe. Quando eu cheguei, estava pegando fogo e a casa destruída. Quando saí, acendi a vela, né? Para a santinha abrir meu caminho, para me iluminar a arrumar serviço.
Comércio - A senhora acendeu a vela justamente para pedir proteção?
Eliete - É. Para pedir proteção e abrir caminho para eu arrumar um emprego. A vela deve ter caído, não sei. Ela estava num lugar que não tinha risco de pegar fogo, não tinha risco. Não sei o que aconteceu.
Comércio - O que queimou na casa da senhora?
Eliete - Tudo, tudo...minha sala inteirinha e a metade da cozinha. Queimou a geladeira, armário, mesa, tanquinho... não tenho mais nada.
Comércio - Como foi chegar e ver que a casa estava destruída?
Eliete - Desesperador, né? Já estávamos passando necessidades e, agora, acontece isto. Quem puder ajudar, vamos precisar.
Comércio - Havia água em casa na hora do incêndio?
Eliete - Não. Estamos há uma semana sem água.
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