Depois de 17 anos de casa, a rotina do serviços-gerais Moisés Lopes da Silva será interrompida a partir de amanhã. Aos 48 anos, o trabalhador braçal não terá mais o emprego, o salário de R$ 807, nem plano de saúde para ele, a mulher e os cinco filhos. Moisés faz parte do grupo de funcionários da Emdef (Empresa Municipal de Desenvolvimento para Franca) demitidos por não terem prestado concurso público. Amanhã, dia 31 de julho, é o último dia de trabalho deles. Dos 35 dispensados, cinco continuarão na empresa. Dos outros 30, alguns conseguiram se aposentar, mas a maioria não sabe como será o futuro.
Muitos são pais de família e sofrem com a dispensa após 17, 18 e até 20 anos de trabalho. Como num casamento, “o divórcio” está sendo doloroso. Recomeçar depois de tanto tempo será um desafio. Os demitidos não têm escolaridade e, além da falta de experiência em outras áreas, encontram na idade - em média 45 anos - outro obstáculo para conseguir emprego. “Estou sem saber o que vou fazer. Sem emprego na idade que temos é difícil. Fazer isso (demitir) com a gente é uma barbaridade”, disse Moisés.
A maior preocupação dele é com o sustento dos cinco filhos. Apenas um é casado. Os outros de 22, 11, 7 e 5 anos dependem dele. Para complicar, sua mulher, que ganhava R$ 40 por faxina, fez cirurgia e ficará 40 dias afastada. “Como eu vou fazer?”, disse, emocionado.
Moisés soube da demissão há seis meses e desde então sofre com o desemprego. “Meus dias têm sido um terror. A gente fica com isso na cabeça. Falo para minha mulher e ela fala: ‘calma que Deus ajuda’”, disse ele, que trabalha no asfaltamento do Parque das Esmeraldas.
Hoje é o último dia de trabalho do motorista Sérgio Donizete Morige, 42, na Pedreira de Restinga. Após 18 anos como funcionário da Emdef, está demitido. Com três filhos e a mulher para sustentar, Sérgio ainda não sabe se terá outro emprego. A idade o preocupa. “É um desespero porque com 42 anos vou trabalhar onde? O jeito é esperar esfriar a cabeça e ver o que nós vamos fazer daqui para frente, procurar emprego”.
Depois de quase duas décadas, Sérgio guardará lembranças amargas do emprego. “Fica uma tristeza. Trabalho oito horas por dia no meio do barulho. Perdi 40% da audição. Agora saio sem nada. Vou perder R$ 19 mil sem as férias e 13º que não teremos direito”.
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