Férias ou recesso? À primeira vista são palavras sinônimas. Ambas vieram do latim. Por sinal, dificilmente férias, no plural, é encontrada nos dicionários. O comum é simplesmente aparecer o verbete “féria”, que significa dia da semana. Estendendo o raciocínio, essa palavra passou a denominar também a quantia paga ao operário, por um dia de trabalho. Já, feriado é o dia em que não se trabalha, mas a féria (pagamento do dia trabalhado) está garantida. Contrariando os significados, com apenas o acréscimo da letra S, mudou-se tudo da féria: férias é um período que o trabalhador tem para descanso remunerado.
Na outra ponta, recesso significa lugar íntimo ou afastado. É também um pequeno período de férias para os estudantes, entre o primeiro e o segundo semestre letivo. Parte dessa época é utilizada pelos estabelecimentos de ensino para avaliar e reformular o planejamento, estabelecer rotinas para o reforço na aprendizagem dos alunos mais fracos (a moderna pedagogia recomenda classificá-los como alunos com defasagem de aprendizagem). Recesso é ainda a suspensão dos trabalhos de um órgão legislativo ou judiciário, talvez para que os profissionais dessas repartições públicas acompanhem de perto o curto descanso dos filhos estudantes!
As palavras ganham novos significados até dentro de suas próprias variações. Recessão, como seria de se esperar, não é o aumentativo de recesso. Pois recessão é o mesmo que recuo, ou seja, é o ato de tornar atrás. Em outro ângulo, pode também significar a diminuição ou retraimento de uma atividade econômica. Ampliando a lógica, ultimamente parece estar havendo muito mais recessão escolar, legislativa, judiciária e outras mais. Se bem que o recesso mesmo, nessas áreas, nunca deixa de existir.
Indo para o que interessa, esta semana é crucial para os estudantes. Principalmente para os da rede oficial de ensino. Pois as aulas estão de volta no dia 30. Só que o retorno verdadeiro das atividades escolares deve ocorrer na segunda-feira, dia 4. Porque aula real depende mesmo é da presença do aluno. E este, na maior parte das vezes, não adere à idéia de um reinício escolar exatamente no final de julho, mês tradicionalmente dedicado às férias de inverno. Deixa então para começar na primeira segunda-feira de agosto.
O calendário oficial funciona plenamente somente para os alunos das séries iniciais ou intermediárias do ensino fundamental. Nessa fase, os pais ainda são capazes de obrigar os filhos a, pelo menos, ir à escola. Depois, a história muda de figura. Os estudantes das séries finais ou do ensino médio começam a ter vontade própria. Uma das primeiras manifestações de rebeldia, por parte deles, é freqüentar as aulas em dias convenientes. Essa atitude não permite a retomada completa do ano letivo, de imediato.
O grosso das aulas volta mesmo é na próxima segunda-feira. Dia escolhido pelas escolas particulares para reiniciar o segundo semestre letivo. Mesmo aquelas que marcaram a volta das atividades para esta semana, não conseguem número suficiente de alunos para desenvolver o trabalho pedagógico a contento.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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