Em depoimento prestado ao Ministério Público, na última sexta-feira, o servidor da Câmara Municipal, José Carlos Granzotti, confirmou que preencheu a declaração de Imposto de Renda do vereador Marcelo Mambrini (PMN), em 2007, durante o expediente de trabalho e na presença do parlamentar. Citou, ainda, o nome de três outros vereadores, a quem teria prestado o mesmo serviço, mas a partir de sua casa.
Ao promotor de Justiça Paulo Borges, Granzotti afirmou que preencheu o formulário no horário e local de trabalho e a pedido do vereador, que teria, segundo ele, pressa em enviar tais informações à Receita Federal. Disse ainda que não foi a primeira vez. Em 2006, Mambrini - então presidente da Câmara - teria repassado a ele o trabalho, feito em casa, mas transmitido, via internet, pelo computador da Câmara.
O depoimento diverge do que disse Mambrini ao MP um dia antes. O vereador negou que conhecia as atividades irregulares do servidor e afirmou que, para ele, Granzotti fazia o trabalho em casa. Disse que só soube da prática - de utilizar o computador da Câmara - neste ano.
OUTROS NOMES
Granzotti afirmou ainda ter preenchido declarações para os vereadores Maurício Chinaglia (PSB), Valter Gomes (PSB) e Zezinho Cabeleireiro (PTB), além da maioria dos assessores parlamentares. O envio dos dados também foi feito da Câmara.
Ainda ontem, Paulo Borges ouviu os três vereadores citados posteriormente. Gomes e Zezinho alegaram não saber que Granzotti utilizava o computador da Câmara para a transmissão dos dados. Já Chinaglia - pouco após ir ao MP - afirmou, estranhamente, desconhecer o assunto. “Ainda não fui comunicado”, disse.
O promotor disse que tentará, agora, colher provas. “No momento adequado devo requisitar à Receita as declarações passadas pela internet através do IP (identificação de computador) da Câmara e cruzar as informações”, disse.
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