O despreparo dos chefes


| Tempo de leitura: 4 min
A psicóloga de uma das empresas para a qual presto assistência me pediu ajuda para elaborar a descrição de cargos, de funções e de operações. Como ponto de partida, solicitou a todos os envolvidos para descrever livremente e sem nenhuma interferência, de como entendem, vêem e executam as funções deles. A minha ajuda consistia em avaliar sob o ponto de vista técnico as descrições de cada um ou de cada uma delas. O resultado da minha análise foi uma surpresa completa, infelizmente, uma surpresa triste. De repente, vi por escrito, elaborado pelos próprios entendidos, de como estão despreparados tanto tecnicamente, como sob os aspectos de liderança e motivação para o exercício dos cargos a eles confiados. Conhecendo os bastidores de como são escolhidos e empossados os chefes, supervisores e líderes, sem nenhum preparo educacional ou formal, não deveria constituir surpresa o que constatei lendo as descrições de funções elaboradas por eles mesmos. Mas, mesmo assim, fiquei chocado com o grau do despreparo e falta de conhecimentos elementares para o exercício de cargos de chefia. Desde os tempos napoleônicos, sabemos que a espinha dorsal de cada exército são os suboficiais, os sargentos. São eles que fazem a tropa marchar, são eles que treinam os recrutas, são eles que passam o tempo todo ao lado dos soldados rasos. O mesmo princípio é válido para as indústrias. De nada valerá ter uma diretoria brilhante e não ter um corpo de executores que transformará as instruções em ação. Sem este corpo de executores, leia-se chefia, a fábrica simplesmente não funcionará a contento. Não vou acusar a chefia de incompetente. Considero a chefia como vítima, da qual se exige uma atuação de alto nível, sem ter sido oferecidas as condições de aprendizado e formação para o exercício da função. Em qual modelo de atuação um futuro chefe pode se inspirar? A quem, de atuação exemplar, ele pode tentar copiar como um exemplo de condutor de uma equipe? Se, muitas das vezes, é o próprio dono da empresa que dá um exemplo negativo neste sentido. O Governo da Índia acertadamente identificou o problema e criou um programa de incentivo à indústria calçadista, onde um dos pontos principais de ação é formação de 20 mil futuros chefes, ou como se diz hoje em linguagem politicamente correta, de futuros líderes. O governo do Brasil anunciou com grande alarde criação de 12 escolas técnicas para todo o universo de indústrias brasileiras. Assim, não será fácil competir. Pelo levantamento do IBGE, no período de maio de 2007 a maio de 2008, o setor calçadista perdeu 11,9% de postos de trabalho, quando a indústria como um todo ofereceu 2,9% novos empregos a mais e aumento de 7% de salários neste período. Será que vamos conseguir atrair jovens promissores e capazes para estudar e seguir carreira na nossa indústria? Não será fácil dentro desta conjuntura. A LOTTO COMEMORA A Lotto está satisfeita com os resultados obtidos no Brasil, principalmente devido à parceria com Fidon Confecções. Também a introdução da tecnologia TWISTN’GO para travas rotativas nas chuteiras e o desempenho do setor ótico contribuíram para o crescimento. DICA 1 Botas para escalar montanhas ganham popularidade crescente na Europa. Só na Alemanha 37 milhões de alemães regularmente sobem as montanhas. DICA 2 As coleções novas asiáticas de calçados esportivos são formadas com base na tecnologia de alta freqüência e do silk-screen. O trabalho do pesponto é reduzido ao mínimo essencial. As criações possuem um ‘clean look’ que contrasta fortemente com os tênis de últimas coleções, cheios de detalhes, de materiais sobrepostos e de cores contrastantes. DICA 3 No Estadão de 20 de julho passado vários financistas e economistas fizeram prognósticos sobre como eles vêem a evolução da situação econômica. O mais sucinto e positivo foi o notável especulador financeiro húngaro George Soros. A visão dele é importante e deve ser levada em conta nas projeções de crescimento de mercado e de investimentos: “Existe uma ameaça de inflação ao mesmo tempo que há uma desaceleração. O aumento dos preços de energia e dos alimentos fará a desaceleração virar depressão”. SEMPRE ACONTECE ALGO... Parece ironia: na mesma semana este Comércio manchetou duas realidades distintas em Franca, relativas ao segmento calçadista: a abertura de mais de 500 vagas de emprego, por um lado, e a paralisação de fábricas em virtude da falta d´água na cidade, por outro. Quando algo vai bem... (APF) Zdenek Pracuch Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários