Igreja ‘do barulho’ irrita vizinhos no Jd. América


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SEM SOSSEGO - Nair Bomfim é vizinha do templo: “À noite, me fecho na sala e coloco os travesseiros na cabeça para abafar o som. Eles gritam muito”
SEM SOSSEGO - Nair Bomfim é vizinha do templo: “À noite, me fecho na sala e coloco os travesseiros na cabeça para abafar o som. Eles gritam muito”
A instalação da Igreja Assembléia de Deus - Ministério Recompensa, na Rua Capitão Canuto Azevedo, no Jardim América, tem causado transtornos aos moradores desde o dia 4 de julho de 2008. A vizinhança está irritada com o som alto do microfone, guitarra e bateria usados durante os cultos que reúnem cerca de 600 pessoas por noite. Para complicar, os carros dos fiéis ocupam as vagas na rua e até as entradas de garagem. O local está irregular, sem alvará de funcionamento. Para o pastor evangélico Edson Ronaldo, 43, “o demônio é que faz as pessoas reclamarem”. Sua mulher, a pastora Sara Barssanulfo, 44, promete resolver os problemas. Os vizinhos mudaram os hábitos desde que a nova inquilina está no bairro. Vivem com as janelas fechadas, saem de casa nos horários do culto e assistem à televisão praticamente no último volume. “Tem recém-nascidos, idosos e pessoas doentes morando aqui perto. O som é estridente; os gritos, ensurdecedores. Eles se reúnem todos os dias e começam a cantar, rezar e fazer exorcismo às sete horas da noite e só param às dez”, disse a bancária aposentada Ivete Bernardes, 56, subsíndica do Edifício América, que fica ao lado do imóvel, representando 32 famílias. A casa de Nair Bomfim, 88, divide o muro com o templo. Ela está cansada do barulho e chega a colocar travesseiros sobre os ouvidos para amenizar o incômodo. “Eu quero ficar na minha casa, a gente trabalhou uma vida e não tem tranqüilidade mais aqui. À noite, me fecho na sala, coloco os travesseiros na cabeça. Eles gritam muito”. Mário Rodrigues, um senhor de 84 anos que depende de aparelhos, também divide paredes com a igreja e sofre com o som alto. Os moradores já fizeram um abaixo-assinado com 48 nomes, registraram boletim de ocorrência de perturbação de sossego e procuraram a Prefeitura para denunciar os incômodos. Mas não adiantou. “Tentamos esses meios. Os pastores falaram que têm as costas quentes e vão continuar aqui sim. Decidimos procurar a imprensa para resolver o problema. Não posso ter paz dentro da minha própria casa”, disse Ivete. Os vizinhos sugerem que os fiéis façam isolamento acústico no prédio ou mudem de endereço. “Tem tanto lugar vago em Franca, tanto terreno, eles podem pegar um quarteirão para eles e o povo vai, eu sei que vai. Assim não vão incomodar ninguém”, disse Nair.

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