Sábado, praça central de Ibiraci (MG). Mais de oito grupos de homens, algumas mulheres e poucas crianças chamam a atenção de quem passa pelo local. No telefone público há fila, a sorveteria está lotada e no supermercado dezenas de pessoas se amontoam na porta ao lado de uma churrasqueira e de caminhões e caminhonetes com as carrocerias fechadas.
O cenário se repete toda a semana e muda a rotina da pequena cidade que agradece a presença de 4,5 mil catadores de café durante o período de safra. Para os comerciantes, a “invasão” de baianos, trabalhadores do norte de Minas e até paranaenses é sinônimo de lucro. Nem a Prefeitura fica livre dos reflexos que eles causam.
No supermercado Hákime, o movimento para as compras semanais e quinzenais é tanto que a proprietária, Raquel Aparecida, não consegue fechar um balanço sobre o número de atendimentos realizados. “O movimento aumenta até 70%. É a melhor época. Abro cedo e só fecho às 22 horas”.
A maioria das compras é de produtos básicos, como arroz, feijão e carne, mas há também aqueles juntam as economias e adquirem aparelhos eletrônicos. “Faz mais de ano que queria comprar esse DVD e agora consegui, gastei mais de R$ 300 só hoje”, disse o catador Ivanildo Donizeti de Almeida.
Enquanto o supermercado fica quase intransitável, na calçada a comerciante Maria Aparecida de Oliveira prepara churrasquinho para os que chegam com fome. “Faço em média 350 espetinhos num só dia. É uma forma extra de ganhar dinheiro durante os quatro meses que eles ficam aqui”. Cada espetinho é vendido por R$ 1,50.
Na sorveteria de frente para a praça, são consumidos por fim de semana 150 litros de sorvete e vendidos, em média, 60 unidades de cartões telefônicos. “No inverno a produção de sorvete costuma ser menor, mas como o número de catadores é grande, nem sinto diferença. Além disso, ganho com a venda de cartões telefônicos de 20, 40 unidades, que são os preferidos, e até 75 unidades, que só vendo nesta época”, disse Rosenar Maria Neves, proprietária da sorveteria.
Para o presidente do Sindicato Rural, Gaspar Reis Tavares, a vinda dos catadores é benéfica apesar de alguns transtornos que causam na administração municipal (veja matéria nesta página). “Eles gastam na cidade o que necessitam. Dinheiro para eles não é problema, pois ganham bem e são seguros nas compras que fazem”.
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