Torneiras secas; Sabesp culpa o consumo


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Franca completa hoje uma semana com falta parcial ou total de água na cidade. Depois de falharem três previsões da Sabesp, moradores em diversos bairros - 15 nas contas da empresa - ainda não sabem quando a água voltará às suas torneiras. Depois da seca, agora é o alto consumo de algumas regiões a justificativa alegada pela companhia para a água não voltar aos imóveis. Dia após dia, a concessionária vai alterando seu discurso ao sabor dos acontecimentos. Na quinta-feira, o compromisso assumido publicamente e em coletiva de imprensa pelo presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, era que na sexta-feira, até as 20 horas, o fornecimento estaria regularizado em Franca. Esse prazo não se cumpriu. Depois, outro prazo, desta vez, no sábado pela manhã, prometia 90% da cidade com água em suas residências e estabelecimentos comerciais. Esse prazo também não se cumpriu. Ontem, ao meio-dia, o atendente do 195, após insistentes ligações, informou que apenas 60% da cidade estava sendo abastecida regularmente naquele momento. Em contato com o gerente distrital da Sabesp em Franca, Rui César Bueno, mais uma promessa. Agora a esperança é que a madrugada de hoje e o decorrer do dia fossem suficientes para normalizar o serviço. Difícil é explicar às dezenas de pessoas que ligaram durante todo o dia para a redação, congestionando as linhas do Comércio da Franca, queixando-se tanto de que a água não tinha voltado quanto de um retorno insuficiente para abastecer suas caixas. Em aproximadamente 80 minutos, perto de 100 ligações de moradores situados em 45 bairros diferentes queixaram-se que não estavam com água em casa. Bueno sustenta que o bombeamento pela adutora do Rio Canoas está normal desde ontem. A explicação para a contínua falta de água está no consumo exagerado por parte daqueles que receberam o produto nas últimas horas. A reportagem esteve no local às 15 horas, após receber telefonemas indicando que teria havido outro rompimento. No Sítio São Paulo, onde ocorreram os dois incidentes, uma equipe com quatro funcionários trabalhava. A adutora funcionava normalmente, segundo eles. Foram esses funcionários que confirmaram o que o engenheiro já havia dito ao jornal: bairros situados em regiões mais altas de Franca não têm a volta do abastecimento prevista (leia mais na página 5). Outro motivo, segundo Rui César Bueno, é o plano de manobra adotado pela companhia. Depois que alguns bairros ou regiões são abastecidos, o fornecimento é interrompido para que outros também sejam beneficiados. Por isso, afirmou ele, a água chegou durante certos momentos, mas o serviço não foi contínuo. SECA FORÇADA Os últimos sete dias vividos pelos moradores de mais de 80% de Franca serviram para mostrar dois lados de uma mesma situação: enquanto alguns se revoltam, outros, tranqüilamente, aguardam que o problema se resolva. Apenas quem mora na região central não sofreu com a falta de água. As ruas do Centro são abastecidas pelo sistema Pouso Alegre, independente em relação ao Canoas. No domingo passado, o que era para ser uma operação de rotina, acabou dando início ao pesadelo da população. A tubulação da adutora do Rio Canoas, movimentada pela instabilidade do solo na região em que está situada, rompeu ainda no domingo. Na quarta-feira, quando os reparos terminaram, algumas horas após a volta do bombeamento, nova pane. O encanamento, com tubos de 80 centímetros, ficou praticamente seccionado. No mesmo dia, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) decide decretar estado de emergência no município, como forma de permitir à Sabesp a contratação de uma empreiteira para terminar o trabalho. Na quinta-feira, o presidente da companhia, Gesner Oliveira, veio a Franca onde se reuniu com o prefeito e com a imprensa. Pediu desculpas, enalteceu o governador José Serra, a empresa que dirige, destacando sua estrutura e capacidade de resolução dos problemas. De mãos fechadas disse incisivamente que o francano estaria com água em casa no dia seguinte (sexta-feira).

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