Sabesp não descarta novos problemas


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Operários da Sabesp trabalham em obras na adutora do Sítio São Paulo, perto de Claraval: ameaça de novos rompimentos e paralisações no fornecimento de água não estão descartados pela empresa
Operários da Sabesp trabalham em obras na adutora do Sítio São Paulo, perto de Claraval: ameaça de novos rompimentos e paralisações no fornecimento de água não estão descartados pela empresa
O grave problema ocorrido nesta semana pegou, ao menos em teoria, a Sabesp de surpresa. Em tese, a alegação da companhia de que a instabilidade do solo foi a culpada pelo rompimento da adutora e de toda a seqüência de calamidades que se seguiu a ele pode ser aceita, mas não pode ser uma verdade absoluta. A empresa que se arvora como a maior e mais avançada da América Latina em saneamento e tratamento de água não foi capaz de prever que o solo do Sítio São Paulo, na divisa de Franca com Claraval (MG), onde se deu o rompimento, é tão firme como uma maria-mole. Questionado sobre se a Sabesp dispõe de equipamentos suficientes para detectar a movimentação da tubulação, colocada no local há 24 anos, que está perto de três metros abaixo do nível do solo, a resposta dada pelo presidente da concessionária, Gesner Oliveira, e pelo superintendente de Franca, João Comparini Júnior, foi a mesma: “não”. A Sabesp não conseguiria, ao menos naquela região que parte do Rio Canoas até as estações de tratamento de Franca, encontrar com antecedência furos, rachaduras, trincados ou qualquer outro defeito que tenha sido motivado pelos movimentos dos canos de ferro fundido, material que agora será substituído, em uma extensão de 2 mil metros, por peças de aço. A obra, que pretende formar um desvio, tirando o traçado da adutora da área instável, deverá ficar pronta em até 120 dias, mas seu custo não foi apurado, conforme explicou o diretor distrital da empresa, Rui César Bueno. O advogado e professor de Direito Empresarial da Faculdade de Direito de Franca, Setímio Salerno Miguel, não quis prever se a Sabesp poderá ou não ser responsabilizada pelos problemas ocorridos na sua adutora. Para Miguel, alguns princípios do Direito regem essa relação entre prestadora de serviço e consumidor, compreendidos pela imprevisibilidade e inevitabilidade. Se essas duas situações ficarem comprovadas, acredita o professor que dificilmente a companhia poderia responder. “Mas se o problema estiver ligado à falta de manutenção, à falta de um plano alternativo, aí, neste caso, é possível pensar nos danos que a empresa causou, sejam morais ou materiais”. Na opinião de alguns funcionários ouvidos pelo jornal, que pediram anonimato, o desvio feito às pressas pode não passar de um remendo. Para eles, novas panes podem acontecer a qualquer momento. “Onde quer que você pise aqui a terra é fofa. Colocamos mais de 150 caminhões de pedra nesse lugar e você simplesmente não vê as pedras”, disse um trabalhador da Sabesp. “Ontem (sexta-feira) quase perdemos uma máquina de grande porte que estava caindo dentro desse buraco”, disse outro funcionário.

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