A Justiça começou a reparar durante a semana um erro grosseiro cometido no ano passado e que levou uma inocente para a cadeia. A 3ª Vara Cível do Fórum de Franca publicou sentença condenando o Estado a indenizar a sapateira Isabel Cristina Soares da Silva, 36. Ela ficou quatro dias atrás das grades acusada de ter matado um homem em São Paulo, onde nunca esteve. A indenização a ser paga foi estipulada em R$ 10 mil. Os advogados da vítima consideram o valor irrisório e vão ingressar com um recurso de apelação para corrigi-lo.
No dia 23 de março de 2007, Isabel Cristina foi presa durante a megaoperação nacional realizada pela Polícia Civil. Segundo os policiais, havia um mandado de prisão contra ela expedido pela 2ª Vara do Fórum de Jabaquara em São Paulo. Isabel Cristina ainda dormia quando homens armados invadiram seu quarto. Foi algemada na frente das filhas de 11 e 14 anos. De nada adiantou chorar e garantir que era inocente. Deu entrada na cadeia de Batatais às 8h30 de sexta-feira e só saiu às 21h30 da segunda-feira seguinte.
Os advogados da sapateira conseguiram provar sua inocência e o juiz Rogério de Toledo Pierri, da 2ª Vara do Júri do Foro Regional I, de Santana, expediu o alvará mandando o diretor da cadeia colocá-la em liberdade. O crime atribuído a Isabel Cristina aconteceu no dia 17 de julho de 1991 e teve como vítima Nilson Sant’ana. O autor do assassinato foi o irmão dele, Dorival Sant’ana, que tem contra si um mandado expedido pelo mesmo Fórum de Jabaquara. De acordo com a denúncia, os dois irmãos teriam brigado por causa da venda da casa em que moravam. Não há informações sobre a prisão do criminoso.
SEM EXPLICAÇÃO
Um ano e quatro meses após o erro, as autoridades ainda não apresentaram uma explicação plausível para o erro. Isabel não aparece no processo 646/91, que se refere ao réu Dorival Sant’ana, autor do homicídio. A Polícia Civil de Franca justifica que apenas cumpriu a lei ao efetuar a prisão. Responsável pela emissão do mandado, a 2ª Vara do Júri do Jabaquara foi procurada, sexta-feira, e informou que o processo estava arquivado e que não seria possível dar informações a respeito.
No alvará de soltura expedido no ano passado após os advogados comprovarem o vacilo, o Fórum de Santana informou que a mulher teria dois RGs - o que é negado por ela e que não ficou comprovado durante o andamento da ação indenizatória - e que um dos números seria parecido com o do assassino. “Acredito que houve uma seqüência de erros, mas, para nós, não interessa individualizar. A culpa foi do Estado que responde pelo mau serviço de seus prepostos”, comenta o assistente de defesa Adauto Casanova.
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