‘Estou com vergonha do meu Estado’, diz Isabel


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Nesta entrevista exclusiva, Isabel Cristina fala dos constrangimentos que ainda passa e da revolta ao saber do valor da indenização fixado pela Justiça. Comércio da Franca - Qual foi o sentimento ao saber que ganhou a ação? Isabel Cristina - Eu vejo o lado positivo pelo fato de a Justiça ter reconhecido o erro do Estado, mas estou indignada, possessa, com o valor indenizatório. R$ 10 mil não pagam 1% do que eu passei, do que meus filhos passaram, de tudo o que isto vem gerando. As vergonhas e humilhações ainda não passaram. Estou com vergonha do meu Estado, do meu governo. Comércio - O que aconteceu naquele dia 23 de março? Isabel Cristina - Eu nunca vou esquecer. É uma situação que vai me acompanhar para o resto de minha vida. Fiquei sabendo do mandado de prisão uns 15 ou 20 dias antes ao renovar minha habilitação. Desde então, minha vida virou um verdadeiro inferno, um pesadelo. Procurei um advogado para ver o que estava acontecendo. Não havia processo em meu nome. Nunca matei ninguém e não sabia o que era. Antes de resolver a situação, fui presa. Minha casa foi invadida por policiais às 6h30. Minhas duas filhas menores ficaram assustadas. Fui levada para a cadeia de Batatais como uma assassina. Passei por humilhações e privações. Nos quatro dias em que fiquei presa, eu vegetei. Não me alimentei direito e tive problemas de saúde. Até hoje, minhas filhas ainda choram de vergonha. Comércio - Você dividiu a cela com quantas presas? Isabel Cristina - Na manhã em que fui presa, havia três pessoas, mas no mesmo dia foi desativada a cadeia de São José da Bela Vista. As presas de lá ficaram com a gente. Eles (os policiais) só começaram a se preocupar em me colocar em uma cela sozinha quando perceberam o erro deles. Até então, o estrago já havia sido feito. Comércio - Como é ser acusada de assassinato sem dever? Isabel Cristina - É tanto quanto um estuprador dentro de uma cadeia. A pessoa te pergunta o que você fez, com o que você “caiu”. Quando eu dizia que não havia feito nada, as presas davam risada na minha cara. Elas falavam que também não fizeram nada e que todas ali eram inocentes. Comércio - Com a decisão judicial, acredita que o erro foi reparado? Isabel Cristina - Uma pequena parte, né? Para mim, falta muita coisa ainda. Nem considero o valor estipulado pela Justiça. É uma ofensa.

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